Saudações aos leitores do blog. Hoje falaremos um pouco sobre a palma, planta que tem sido alvo de investimentos e que terá um papel cada vez mais crescente no nosso dia dia nos próximos anos.
Primeiro o que é a palma? É uma palmeira, também conhecida por aqui por dendê. Seus frutos são ricos em óleo, onde se retira o azeite, ou frações desse óleo, gerando a oleína e a gordura de palma. Seu óleo possui qualidade e interesse tanto na produção de biodiesel, como na indústria de alimentos, sendo usada em chocolates e sorvetes principalmente, sendo uma boa opção para substituição da gordura hidrogenada. A planta, originária da Costa Ocidental da África, é adaptada ao clima Equatorial, ou tropical úmido, exigente de alta quantidade de água e de altas temperaturas o ano todo.
Após conhecer um pouco sobre a planta, como ela veio ao Brasil? Ela foi trazida pelos portugueses e plantada na Bahia, onde foi inserida na culinária local (azeite de dendê). Mas, durante muito tempo foi cultura marginal por aqui enquanto lá fora é o óleo mais consumido no mundo soja e sua produção está concentrada 85% entre Malásia e Indonésia.
Então porque de falar sobre a palma sendo que é pouco produzida no Brasil? Exatamente porque esse panorama tende a mudar. A palma é uma planta que leva em média 7 anos para produzir, e após isso consegue seguir em produção por 25/30 anos. A cultura, a partir de 2008, começou a receber grandes investimentos por aqui, principalmente no estado do Pará, que concentra 95% da produção brasileira hoje. O investimento principal advém da Vale, empresa mineradora, por meio de sua filial a Biopalma, cujo interesse é voltado na compensação ambiental de áreas de mineração no estado, assim a empresa banca a recuperação de áreas degradadas, onde se recupera a floresta, e se implanta um sistema de produção dos frutos de palma, podendo também essa produção estar consorciada com a floresta num modelo de SAF (Sistema Agroflorestal). Esse investimento é justificado também como ação da empresa para diminuir emissões de CO2 na atmosfera, já que a Vale planeja a utilização do B20 (20% de biodiesel adicionado ao diesel comum) em toda a sua frota, além do resíduo da usina de biodiesel ser usado na adubação da palma e na geração de energia.
Esse impulso de investimento também se deve a duas causas principais: biodiesel e diminuição do uso de gordura hidrogenada na indústria de alimentos. O óleo de palma para a produção de biodiesel é adequado, porque apresenta boa estabilidade, o único porém é a limitação no seu uso em locais com baixas temperaturas, pois seu alto grau de saturação faz com que a baixas temperaturas o biodiesel possa formar cristais que podem entupir os filtros do motor, assim como o biodiesel de sebo bovino. A palma tem inclusive uma alta produtividade de óleo por hectare, produzindo bem mais que a soja e por ser uma cultura perene, exigindo menos do ambiente e do solo para a sua produção, podendo ser uma cultura chave para o Programa Nacional do Biodiesel (PNPB) na diminuição de custos e na diversificação de matérias-primas.
Além desse uso, existe o uso para fins industriais, para detergentes e cosméticos que não será focado aqui.
O outro uso que tem crescido muito por aqui é na indústria de alimentos, devido as características da gordura de palma se assemelharem ao da gordura hidrogenada, com a vantagem de não haver risco a formação de gordura trans e ser uma gordura natural e mais facilmente digerível pelo corpo humano, não acarretando problemas de saúde, como o colesterol e problemas circulatórios. Há a cogitação da eliminação total da gordura hidrogenada por lei, sendo então a gordura de palma uma ótima opção é um dos caminhos que a indústria encontrou na substituição. Para a produção da gordura de palma, exige-se apenas a separação do óleo, já que basicamente é composto por 60% de oleína(insaturado) e 40% gordura (saturado), que em um processo de fracionamento essas duas fases são separadas.
O óleo de palma também pode ser usado na culinária, apresentando ótima estabilidade oxidativa (isso quer dizer um óleo adequado a frituras), e um óleo rico em carotenóides, que são antioxidantes naturais presente no óleo, que são precursores de vitaminas como a vitamina A e E.
Para fechar, andou circulando algumas campanhas contra produtos que usam a palma em sua composição. Isso se deve porque os dois países que mais a produzem, desmatam suas florestas tropicais, que são em ilhas e possuem espécies raras para plantar a palma. Isso fez esse movimento movido pelo Greenpeace, e gerou um contramovimento que tenta certificar o óleo de palma com origem de plantações que não agridam a fauna e flora local. Uma grande oportunidade do Brasil aproveitar esses investimentos e certificação e colocar mais um produto no mercado, já que por aqui a produção de palma visa ser sustentável é uma opção para recuperar locais degradados.
Frutos da palma onde é extraído o óleo de palma.
Oportunidade não falta, basta ter inteligência para vislumbrar e aproveitar.
Obs: Esse foi o último post de 2015, o blog entra em férias. Gostaria de desejar um Feliz Natal e um próspero Ano Novo a todos os leitores e seus familiares. Em Janeiro retornamos com mais força e energia, obrigado.
http://g1.globo.com/economia/agronegocios/noticia/2012/06/biopalma-da-vale-inaugura-no-para-primeira-usina-de-oleo-de-palma.html
file:///C:/Users/Samuel/Downloads/Consumer%20Fact%20Sheet-Portuguese.pdf
http://www.agricultura.gov.br/arq_editor/file/camaras_setoriais/Palma_de_oleo/1_reuniao/Programa.pdf
http://www.aboissa.com.br/produtos/view/609/oleo-de-palma.html
http://www.valor.com.br/agro/2728714/biopalma-da-vale-inaugura-usina-de-extracao-de-oleo-de-palma-no-pa
Somos diariamente bombardeados na internet por informações falsas ou incompletas, meias verdades. Eu, com minha bagagem de conhecimento como Engenheiro Agrônomo, sinto que tenho o dever de buscar trazer mais informações com qualidade, desde dúvidas simples de como cuidar de seu vaso de flor, até sobre coisas mais complexas como o código florestal. Aqui se busca respeitar opiniões diferentes, correções, então por favor, seja educado e gentil
domingo, 6 de dezembro de 2015
sexta-feira, 27 de novembro de 2015
Diversificação da alimentação e os desafios de alimentos sem contaminação química
Saudações aos leitores do blog. Hoje
falaremos um pouco sobre a inserção de novos alimentos no nosso dia a dia.
Hoje observamos um aumento de tipos de
plantas, grãos, verduras nas prateleiras dos supermercados ou nas feiras, e
também nas dietas e recomendações de nutricionistas e profissionais de saúde.
Vemos hoje Quinoa, Amaranto, Blueberry, Goji berry, uma infinidade de chás e
outros temperos e produtos. Isso ajuda as pessoas a conhecerem novos sabores e
buscarem complementar a alimentação, tornando uma refeição mais rica e
colorida, trazendo grandes benefícios do ponto de vista nutricional. Porém, essas plantas novas que foram citadas acima, tem um
preço elevado por terem baixa produção ou serem importadas

Figura 1 - Blueberry (Mirtilo)
Com o consumo dessas novas plantas, também
se abrem as portas ao produtor, pois cria-se assim, um novo mercado e muitas
espécies podem ser adaptadas, ou já são, ao nosso clima e serem cultivadas por
aqui. E o preço mais elevado pode garantir uma diversificação e um aumento de
rendimento ao produtor.
A adaptação de uma planta a um novo clima
pode ser um processo difícil, pode exigir um grande trabalho, desde
melhoramento e de criação de variedades, até uma simples elaboração do correto
manejo da nova cultura. Essa adaptação pode não ser perfeita e a cultura exigir
uma grande quantidade de insumos, a fim de forçar a planta produzir, o que pode
gerar impactos no ambiente ou até mesmo, contaminar o alimento como acontece em
muitos casos, devido a necessidade do uso de mais produtos químicos no combate
de pragas e doenças. Temos diversas plantas adaptadas, como a couve, berinjela
e pimentão e casos de excessos de produtos e insumos nos cultivos destas, que
são muitas vezes feitos em época errada, aumentam a fragilidade dessas plantas
ao ambiente daqui. Dados da Anvisa são limitados a poucas culturas, e o último
levantamento foi em 2012, porém, olhando esses dados somados a de outros grupos
de pesquisas da área, vemos um nível de contaminação alarmante dos alimentos.
Um outro ponto é que o Brasil possui uma
das maiores biodiversidades do mundo, e assim podemos encontrar diversos tipos
de frutas, folhas, flores e grãos, que também podem ter um alto valor nutricional,
como no caso do caju, que tem bastante vitamina C, assim como a acerola, que
também possui outros compostos antioxidantes e o açaí. Têm-se um trabalho maior
para se explorar, catalogar e domesticar plantas nativas, mas a adaptabilidade das
condições locais poderia facilitar sua produção e sua qualidade, além de ajudar
na diversificação da alimentação. Esse trabalho necessário tem sido
desenvolvido com as PANCs (Plantas Alimentícias Não Convencionais), que muita
gente acha que é um simples “mato”, mas que pode esconder plantas nutritivas
como a beldroega, a serralha e até medicinais como o quebra-pedra.

Figura 2 - Uvaia, fruto nativo
da Mata Atlântica
Figura 3 - Não é açaí, e sim
Jussara, fruto nativo da Mata Atlântica
A questão aqui não é criticar as plantas
"estrangeiras", pois elas são bem-vindas tanto no âmbito da nutrição
como de produção, e sim, tentar mostrar que além destas, existem outros
alimentos dentro da nossa própria natureza que não estamos dando o devido valor
e que também podem entrar em nossa dieta, aumentando assim, a possibilidade de
uma alimentação saudável, uma produção mais sustentável e com menos resíduos de
produtos químicos e mais acessível à população.
Algumas frutas nativas pouco exploradas se
encontram aqui:
http://www.nodeoito.com/11-frutas-da-mata-atlantica-que-todo-brasileiro-deveria-conhecer/
E maiores informações sobre PANCs pode ser
visto aqui : http://www.jardimdomundo.com/e-essa-planta-da-para-comer/
Aqui o link do PARA (Programa de Análise
de Resíduos de Agrotóxicos):
http://portal.anvisa.gov.br/wps/content/Anvisa+Portal/Anvisa/Inicio/Agrotoxicos+e+Toxicologia/Assuntos+de+Interesse/Programa+de+Analise+de+Residuos+de+Agrotoxicos+em+Alimentos
http://cupeid.com/lista-da-anvisa-dos-alimentos-com-maior-nivel-de-contaminacao/
quinta-feira, 19 de novembro de 2015
APPs reserva legal: Perda de área produtiva ou benefício a todos?
As áreas de preservação permanente (APP) e
as Reservas Legais são por lei áreas de floresta nativa em
uma propriedade. Mas qual a função delas? Apenas cumprir por cumprir ou pode
trazer algum benefício a propriedade?
Primeiramente vamos explicar rapidamente o
que é cada um. A APP é uma área de floresta em que não se pode haver exploração
comercial, isso significa que é uma área de mata que tem a única função a
preservação. São APPs as áreas de mata ciliar de rios, nascentes, topo de morros
e áreas onde há risco de deslizamentos em encostas íngremes ou áreas
suscetíveis a erosão. Já a reserva legal é a área de floresta em que não se
enquadra como APP e, portanto, pode ser feito o manejo florestal podendo ser
incluída na atividade econômica da propriedade. No antigo código florestal, a
área obrigatória de floresta nativa dentro da propriedade só levava em conta a
área de Reserva Legal, a APP tinha que ser preservada e não entrava na conta.
Com o novo código florestal, as APPs entram na conta da área florestal podendo
uma propriedade não precisar plantar, por já ter só em APPs a quantidade de
floresta que precisa na área.
E de quantos % da área da propriedade
agrícola, por lei, tem que ser floresta? Depende do bioma em que está inserida
a propriedade, na Amazônia 80%, no cerrado 35% e nos demais biomas 20%.
E qual o fundamento de se ter uma reserva
florestal dentro de uma área agrícola? Vemos que teoricamente se
"perde" uma parte da área para atender a legislação, o que gera muita
reclamação por parte dos agricultores, muitos questionando pois não sabemos
verdadeiro fundamento disso. Como em muitas coisas no Brasil, há imposição pela
lei e nem sempre há fiscalização e informações devidamente repassadas aos
atingidos pela nova norma, levando ao processo de negligência e desinformação.
Mas há fundamento. As áreas de mata ciliares são importantes na proteção dos
mananciais, garantindo que produtos químicos não cheguem diretamente à água,
diminuindo a exposição dos rios à evaporação e também a formação de enxurradas
e erosão/assoreamento dos cursos d'água. No caso das nascentes, as florestas têm
a mesma função, ajudando a não secar e assim permitir e garantir a vida de
muitos rios, riachos e córregos. Já a Reserva Legal tem como função principal
garantir a biodiversidade na propriedade, o que pode permitir a presença de
inimigos naturais, pragas e doenças e ajudar na sanidade das culturas, além de
poder ser uma área onde pode haver exploração econômica e até mesmo turística,
permitindo assim, uma diferenciação nos ganhos da propriedade, além da
preservação ambiental propriamente dita, é claro.
Mesmo assim há questionamentos do tipo:
"Esse pedacinho de floresta não resolve nada". Se observar no
contexto de propriedade, um pedaço de floresta pode parecer que não resolverá
nada, mas se juntar todas as propriedades há sim uma diferença. O grande
problema talvez, seja a falta de corredores entre os fragmentos de mata de cada
propriedade, ou a formação de áreas conjuntas de APP/Reserva, o que permitiria
uma área florestal maior e mais integrada, permitindo assim o aumento da
biodiversidade e a resiliência da área florestal. Entende-se que cada
propriedade destina uma área diferente a atender a legislação ambiental,
contudo, a falta de diálogo e de projetos que possam ajudar a integrar os
fragmentos sem prejudicar os produtores rurais chama atenção. Assim, vemos
poucos projetos, como os do link e do vídeo abaixo, em que se é possível fazer
algo e, desse modo, o ambiente e os produtores saírem ganhando.
Pra finalizar, o aumento de áreas
florestais poderia diminuir enxurradas e melhorar a infiltração da água no
solo, além de preservar e "ressuscitar" nascentes, ou seja, poderia
ajudar no aumento de cursos d'água. Isso associado a crise hídrica que assola o
Sudeste do país e várias outras regiões, poderia criar um estoque de água maior
nos solos e lençóis freáticos, melhorando a situação dos rios e permitindo uma
resistência maior a grandes secas. Há vários exemplos de propriedades, onde
após a recuperação florestal, a água retornou ao local trazendo mais vida a
propriedade. Nesse site pode ser visto um exemplo: https://www.itaipu.gov.br/meioambiente/reposicao-florestal
Referências:
quinta-feira, 12 de novembro de 2015
Jardins verticais e aumento do verde em residências e cidades
Saudações aos leitores do blog. Hoje o assunto é sobre
paisagismo. Mais especificamente sobre uma mudança de mentalidade e de estilo:
os jardins verticais.
A ideia de se fazer um jardim acima do solo remonta de
tempos antigos. Na Antiguidade os babilônios tinham os seus famosos jardins
suspensos, sendo inclusive, uma das sete maravilhas do mundo antigo.
Passaram-se muitos anos desde então, e com as cidades
modernas, há cada vez menos espaço nas moradias e a pessoa que deseja ter um
jardim ou algumas plantas em casa, necessita de um pouco de criatividade. Por
isso foi-se pensado em se aproveitar as paredes e a ideia pegou, tanto que
temos vários tipos e modelos desse jardim.
Mas porque isso, digamos, virou moda? Como já dito, a
necessidade de buscar soluções que ocupam menos espaço hoje é muito importante,
e um jardim na parede surgiu como opção, permitindo um melhor aproveitamento do
espaço. Outro motivo é que com a criatividade pode-se quebrar a monotonia do
ambiente, mesclando combinações de estilos de plantas e flores com diferentes
cores, trazendo vida ao espaço.
E quanto custa? É algo que varia muito com o tipo,
local e tamanho da parede. Há diversos tipos, desde a colocação de um pano
específico, formando um painel, tipos em que se pregam vasos na parede, canos
de PVC, jardineiras feitas de material plástico e em outros, pode se fixar um
painel, portão antigo ou grade de janela na parede e assim colocar vasos fixados
ou então plantas trepadeiras que crescem sobre a grade. O local varia muito, podendo
ser área externa ou interna de casas, dentro de ambientes fechados de maneira
geral, como apartamentos e escritórios, ou em áreas de luz. Os que exigem mais
cuidados são os de área interna, pois vão exigir mais manutenção e também o uso
da irrigação por gotejamento, que irriga sem deixar a água escorrer, além de
fazer o uso de um tecido especial, onde a terra e planta ficam aderidos, evitando
a sujeira e facilitando a fixação das plantas. Duas outras opções podem ser a
colocação do painel em parede em cima de espelhos d'água e fontes, ou o uso de
tijolos especiais durante a construção, que permitem que a parede forme uma
espécie de jardineira. Para as áreas externas, qualquer tipo se encaixa e a
irrigação pode ser opcional e também existe um modelo com PVC, fazendo um tipo
de hidroponia, onde a água circula dentro dos canos onde as plantas são
colocadas. As fotos colocadas abaixo irão evidenciar cada sistema para melhor
visualização.
E qual sistema é melhor? Preciso contratar uma empresa
ou posso fazer sozinho? Não existe um sistema melhor. Existe o sistema que se
adequa ao quanto você pode gastar, que atenda suas exigências (necessidade ou
não de molhar) e principalmente, o qual esteticamente agradar mais. Todos os
sistemas terão pontos fortes e fracos, cabe ao dono do jardim saber qual atende
melhor às suas necessidades. Há grandes empresas no setor, inclusive com
sistemas e produtos patenteados para essa modalidade de jardim. Porém, pode ser
feito por qualquer um, mas ressalto que assim como todo jardim, é importante
muita pesquisa e se possível, uma orientação profissional para evitar problemas
e assim conseguir escolher bem as espécies e posicioná-las adequadamente no
jardim, além é claro, de se observar fatores importantes como sol, chuva,
vento, disponibilidade de água, plantio correto e interação entre plantas. Dessa
forma evita-se o famoso "barato sai caro" e a pessoa pode desfrutar
da beleza de seu jardim durante muito tempo.
Diversas espécies são usadas, de uma simples samambaia
até sistemas em que produzem verduras e temperos, passando por flores como
gerânios e mini antúrios, sem esquecer das orquídeas, é claro. Isso mostra que
não há um padrão, e sim, a vontade de trazer a interação entre plantas e seres
humanos, mais verde e vida às cidades.
Combinação de vasos pregados na parede.
Esse mais alternativo feito de garrafas PET.
Tijolo especial côncavo, onde forma o jardim vertical
durante a construção.
Horta/jardim vertical feito a partir da fixação de
jardineiras.
Grades de janelas usadas como suporte.
Painel formado por diferentes tipos de folhas.
Referências:
http://www.olilo.com.br/kit-jardim-vertical-fibra-de-coco-classico-ferro-100x50cm-ol1040121-126.html
quinta-feira, 5 de novembro de 2015
Um pouco sobre solos
Saudações aos leitores do blog, hoje
falaremos um pouco sobre a importância do solo. Afinal o que é o solo? É apenas
aquela terra onde ficam as raízes das plantas, ou ele tem uma importância maior
do que isso?
Primeiramente,
uma das funções mais claras do solo é a nutrição e sustentação das plantas. Os
nutrientes presentes no solo, a água e os microrganismos benéficos, como
bactérias fixadoras de nitrogênio, são absorvidos pelas raízes das plantas.
Algumas pessoas até fazem uma analogia das raízes com a boca dos animais. Por
isso que adubar, a corrigir e manter o solo úmido contribuem bastante no
desenvolvimento das plantas. E maioria das pessoas conhece apenas essa função.
Sim, tem mais.
O solo pode evidenciar o passado. A partir
das rochas que o formaram, podemos saber o que existia há milhões de anos atrás
em um mesmo local. Por exemplo, São Paulo já foi um deserto, ou então podemos
saber as regiões em que houve o grande derramamento basáltico, que formou
algumas "serras" em SP, como a serra de São Pedro. Na verdade, essa
formação advém dessa grande erupção vulcânica, que permitiu a formação de solos
muitos férteis na região de Ribeirão Preto. Além disso, o solo é uma das
ferramentas que determinam a vegetação. Em solos mais pobres percebemos que
cresce uma vegetação mais baixa e menos densa, como a dos cerrados. E em solos
áridos, uma outra vegetação mais pobre. Mas o solo sozinho não determina a
vegetação, isso depende também da posição do relevo e do clima.
E tem mais. A preservação do solo é um
fator muito importante, pois a perda de suas camadas superiores em grandes
chuvas por exemplo, pode acarretar em perda do potencial produtivo do solo e
diminuir a sua capacidade produtiva, além, é claro, desse solo virar sedimento
e ser arrastado para as estradas e inclusive leitos de rios, podendo causar
assoreamento dos mesmos. Fora que, o arraste de sedimentos leva a camada
adubada e mais produtiva do solo, levando consigo elementos como nitratos, que
podem contribuir com a eutrofização e poluição das águas.
Já deu para perceber importância dos solos,
eles têm tido um grande destaque para novas técnicas de manejo, de modo que seja
cuidado de uma forma melhor e atinja o máximo de sua produtividade.
Mas, ainda assim há problemas, como o
excesso do uso de adubos solúveis, poluição de lençóis freáticos, salinização e
erosão, e isso tudo devido a uma questão simples até: O solo não é tratado como
um organismo vivo, e sim como uma caixa, onde colocamos o adubo e a água, e as
plantas apenas retiram o que precisam, depois, repomos com mais adubo e água. O
solo na verdade possui vida, pois é também onde se proliferam microrganismos,
insetos, minhocas, que são importantes na construção da produtividade do solo.
Um solo árido não possui essa riqueza de seres vivos, diferentemente de um solo
fértil de floresta. Então, cuidar para manter o solo vivo é uma das chaves para
preservá-lo e buscar utilizar todo seu potencial.
E como se preserva o solo e o mantém vivo?
Fazer uma análise tanto química quanto física é o primeiro passo. Assim,
consegue-se ver qual a necessidade e planejar ações. Mas como todo processo
natural, essas ações levam tempo para mostrar resultado e não é em apenas uma
safra que o solo milagrosamente vai se recuperar. A fertilidade e um solo
produtivo e conservado se constrói. No sistema de plantio direto se percebeu
isso, leva-se em alguns casos até 10 anos para atingir uma estabilidade de
produção e um sistema produtivo, digamos, " se encaixar".
Com a análise química podemos adubar
corretamente, evitando a lixiviação e salinização do solo. Outro fator
importante é a rotação de culturas, com adubos verdes formando cobertura morta
no solo, protegendo de chuvas e aumentando a atividade dos microrganismos e
insetos do solo, que vão degradar essa cobertura morta. Também usando leguminosas, a fixação natural
de nitrogênio desse tipo de planta pode contribuir na adubação natural do solo.
Isso, com o tempo, melhorará as condições do solo e permitirá um uso menor de
adubos, gerando economia e contribuição ambiental. Por isso que, na pauta de
muitos debates ambientais, se fala do uso e manejo correto do solo, por ele ser
um dos elementos chaves da preservação ambiental, devido a possibilidade de um
menor uso de fertilizantes sintéticos que são altamente poluentes no ambiente.
Dessa forma continuaremos preservando o
solo, os recursos hídricos e mantendo um bem valioso, que nos sustenta, nos
alimenta e nos traz vida. Por isso, temos que ter consciência do uso do solo e
entrar na luta pela sua preservação e correto manejo.
Referências:
quinta-feira, 22 de outubro de 2015
O frango e os hormônios
Saudações aos leitores do blog. O assunto
de hoje é bem conhecido de boa parte das pessoas. Quem nunca ouviu a frase:
" Nossa os frangos crescem rápido hoje em dia, imagine a quantidade de
hormônio!" e isso se propagou como se fosse algo absoluto, mas será que o
frango recebe hormônio para crescer mais rápido?
Primeiramente quanto tempo leva para um
frango, em um galinheiro comum onde os animais crescem livres, crescer e ser
abatido? Chega até 6 meses em alguns casos, mas na produção orgânica atual leva
um mínimo de 81 dias para o frango ser abatido. E no sistema de granjas?
Antigamente, na década de 1950, levava uma média de 90 dias. Atualmente se leva
em média 44 dias, sendo que em algumas granjas se leva 40 dias para se abater o
frango, ou seja uma redução de até 1/3 do tempo em relação a 1950.
Então essa redução de tempo de ganho de
peso do frango para poder ser abatido só pode ser hormônio certo? Errado. Esse
ganho de tempo está muito relacionado com o melhoramento genético. Houve um
grande avanço nessa área na avicultura, em que houve um grande e bem feito
trabalho, o que permitiu selecionar raças que ganham peso mais rapidamente e
que são mais resistentes a problemas sanitários. Só nessa área permitiu uma
queda gradativa no tempo médio para abate. Além disso, houve avanços na área de
nutrição animal, onde se conseguiu elaborar uma melhor dieta aos animais, mais
balanceada, o que permitiu um melhor aproveitamento dos alimentos pelos animais
e uma melhor conversão em peso. Também houve avanços no manejo do ambiente nos
galpões dos frangos e na parte sanitária, em que a evolução permite uma carne
de qualidade, livre de contaminações e uma melhor saúde dos frangos na granja.
Se isso ainda não o convenceu, a
legislação brasileira não permite o uso de hormônios em aves, e há um programa
de intensa fiscalização e análise das carnes de frango e não têm sido
encontradas amostras dessas carnes que apresentem indícios ou resíduos de uso
de hormônios para crescimento. Esse programa, gera um selo que vai na embalagem
do frango informando ao consumidor que a carne foi produzida sem o uso de
hormônios.
Mas então de onde pode ter surgido essa
"especulação"? Com essa diminuição do tempo para ganho de peso,
a cadeia de produção de carne de frango ganhou muito em produtividade. Isso fez
com que caíssem os custos e a oferta de frangos aumentassem, tornando a carne
de frango vantajosa ao consumidor. O setor de carne bovina, vendo esse aumento
de consumo da carne de frango, pode ter auxiliado na disseminação dessa
"desinformação" como estratégia, criando um marketing negativo
tentando frear o consumo de carne de frango. Mas, isso é apenas especulação do
blog, não tem nada comprovado sobre isso.
Alguns grupos que valorizam uma produção
mais justa e que se preocupa com o bem-estar animal, compraram a ideia, muitas
vezes na inocência, para tentar provar o seu ponto de vista contrário à carne
de frango. A grande questão contrária reside na superlotação de galpões e falta
de liberdade aos animais, o que faz a com que seja necessário um rigoroso controle
fitossanitário, afim de se evitar epidemias nos frangos e para que isso não
ocorra alguns produtores podem fazer o uso indiscriminado de muitos
antibióticos, o que pode causar a seleção de bactérias resistentes a esses
antibióticos utilizados. A superpopulação dificulta a movimentação dos frangos
e, com a ração farta e próxima, facilita a engorda dos frangos. A crítica
reside nesse uso de superpopulações e na falta de liberdade para os frangos
poderem se movimentar e ciscar. Para isso existem sistemas mais naturais,
como o orgânico, em que os animais crescem livres e em menores populações em
cada galpão que dormem. O uso de antibióticos é bem menor (só em casos em que
são realmente necessários), os animais se alimentam tanto de ração quanto do
que ciscam durante o dia, e com essa movimentação os animais gastam mais
energia, fazendo com que sejam necessários mais dias para a engorda.
A figura de cima é de uma granja orgânica e a de baixo granja convencional
A cadeia da carne de frango não é
perfeita e apresenta alguns problemas, porém, na parte que concerne controle de
qualidade e não uso de hormônios de crescimento nos animais, essa cadeia tem
atuado muito bem e necessita manter e até mesmo intensificar esse controle para
continuar produzindo sem hormônios e atrair mais a confiança do consumidor em
seu produto. Mais informações sobre esse controle a última referência pode ajudar a dar mais detalhes.
Espero que as pessoas usem outro argumento
para não comer carne de frango.
Referências:
http://www.sindpzoo.org/news/hormonio-em-frangos-e-mito/
http://www.guaraves.com.br/?page_id=20
http://www.fiesp.com.br/indices-pesquisas-e-publicacoes/iniciativas-sustentaveis-korin/
http://www.agricultura.gov.br/animal/especies/aves
http://www.agricultura.gov.br/animal/dipoa/dipoa-consumidor/mitos-fatos
quinta-feira, 15 de outubro de 2015
Óleo de coco: mais uma opção em uma dieta saudável?
Saudações aos leitores do blog. O óleo de
coco tem levantado bastante incerteza na comunidade acadêmica, e para muitos
nutricionistas e programas de televisão ele tem sido mostrado muitas vezes como
melhor que os óleos de soja por exemplo. O que há de verdade em tudo isso?
Primeiramente da onde vem o óleo de coco e
qual sua composição? Vem, como o nome já diz, do coco fruta. O coco é colhido e
processado em até 48 horas para a obtenção do melhor óleo, após esse período começa
um processo de degradação no óleo, devido ao processo de respiração do fruto, o
que faz ele perder suas características e sua qualidade. Para manter suas
características e sua qualidade organoléptica o óleo é extraído por prensagem a
frio, assim como o azeite de oliva extra virgem, sendo o óleo de coco rotulado
também como azeite de coco extra virgem. A composição do óleo de coco é
predominantemente saturada, aproximadamente 87%.
Mas, as gorduras saturadas não são as que
fazem mal? Em tese sim, as gorduras saturadas são as que devemos consumir menos
(20 g diárias em uma dieta normal), pois em excesso podem contribuir para o
aumento do colesterol ruim (LDL) que pode acarretar entupimentos de vasos e
possíveis problemas como enfartes e AVCs. Porém, temos uma quantidade dessas
gorduras que devemos ingerir, afinal elas têm uma função, principalmente
hormonal, muito importante no nosso organismo. Devemos ingerir 50 g de gordura
total, dessas, 20 g de saturadas. É importante ressaltar isso, temos que ingerir
os dois tipos de gordura, porém, em maior quantidade a gordura insaturada. Se
ingerirmos mais gordura que o recomendado, mesmo que seja do tipo insaturada,
isso pode acarretar problemas, porque o excesso de gorduras insaturadas também
podem, além da obesidade, trazer outros problemas de saúde.
Composição dos óleos vegetais.
Então pode ser ingerido o óleo de coco sem
problemas? Com muita moderação ele pode ser usado sim, como complemento para
dar sabor à pratos e também como fonte de gorduras saturadas. Se sua
alimentação é balanceada, e você leva uma vida ativa, com atividade física,
nada impede sua ingestão leve, de uma pequena colher ao dia, como complemento
de gorduras saturadas.
Complemento de gorduras saturadas? Como
assim? A gordura presente no coco é predominantemente ácido láurico (12:0). Os
ácidos graxos saturados de cadeia mais curta, em especial o láurico, podem
trazer uma série de benefícios ao corpo humano: ele auxilia no sistema
imunológico, pode ajudar na regulação do colesterol, emagrecimento, na
sensibilidade de insulina e ajudar o controle de diabete e da tireóide. Tem boa
função dermatológica, pode atuar na regulação do intestino e também atuar na
diminuição da fadiga crônica e fibromialgia. Todos esses benefícios que estão
sendo melhor pesquisados não podem ser simplesmente perdidos. Então, numa
alimentação saudável, acompanhada de atividade física e uma dose pequena diária,
o óleo de coco pode ser sim bem-vindo na
dieta, complementando os ácidos graxos saturados na
dieta com predominância do ácido láurico, juntamente
com o ômega 3 e 6 advindos dos outros óleos vegetais.
Agora nesse ponto que quero tocar. Há
muitos sites, empresas, nutricionistas, médicos, artistas e tantos outros que
tem feito um grande alarde sobre usar o óleo de coco ao mesmo tempo em que
criticam o uso do óleo refinado. Falam em substituição dos óleo refinados pelo
óleo de coco. Primeiro ponto: como já mostrado, o óleo de coco sozinho não supre
a nossa cota diária de gordura insaturada, comprovadamente benéfica ao coração
e essencial (nosso organismo não produz). Se a dona de casa usar óleo de coco,
numa alimentação pobre em pescados e muitas vezes rica em comidas não saudáveis,
além de sedentarismo, isso pode ser um tiro no pé. O óleo de coco é mais
calórico e pode prejudicar mais do que ajudar, nesse caso. Segundo ponto:
preço. O óleo de soja 1 litro custa 5 reais. O de coco custa em torno de17
reais, 200 ml, é mais caro até que o azeite de oliva muitas vezes importado. É
insustentável atualmente substituir o óleo refinado de soja pelo de coco, o
gasto seria muito grande. Terceiro ponto: óleos refinados fazem “mal a saúde”. O
processo de refino remove dos óleos diversos compostos, dentre eles os fosfolipídeos
(que no caso da soja originam a lecitina), compostos aromáticos, antioxidantes
e vitaminas, além de compostos como ácidos graxos livres, água e alguns outros
compostos que podem acelerar a degradação do óleo, que acarretaria no seu menor
tempo de validade e limitando seu uso. Então o processo de refino não
"estraga" o óleo, não hidrogena, nem modifica, é um processo que
remove tudo o que não é óleo. O maior problema do óleo refinado é que, devido
ao seu alto teor de insaturados, o óleo fica altamente suscetível a oxidação.
Com isso, são adicionados dois tipos de antioxidantes artificiais ao óleo
refinado, TBHQ e BHT, e que, se usados em excesso podem se acumular no
organismo, sendo cancerígenos. Por isso se limita o uso, e muitas indústrias e
universidades tem buscado, através de pesquisa, o uso de antioxidantes
naturais. Há ótimos exemplos do uso de canela, pimenta, cravo, tomilho,
orégano, acerola, em que se extrai esses compostos antioxidantes que auxiliam o
óleo e não são prejudiciais a nossa saúde.
Se eu usar o óleo refinado vou morrer?
Não. Há uma intensa fiscalização e não há indícios de que estão utilizando
acima do limite o TBHQ e o BHT, pode continuar a usar sem problemas o óleo
refinado.
Então sobre o óleo de coco, o que podemos
afirmar dele? Não é um milagre. Aliás, como já afirmei em outros posts: tome
cuidado com palavras fortes como: veneno, milagre, santo remédio. Coloque um pé
atrás, pois isso não é uma maneira científica de se argumentar a favor ou
contra algo. Ele é um óleo rico em gorduras saturadas, por isso é estável mesmo
sendo extraído a frio e não sendo refinado. Possui ácido láurico que pode
trazer benefícios a saúde, mas, por ser altamente calórico, sua ingestão deve
ser moderada e acompanhada de uma dieta saudável.
E você leitor, o que decidiu do assunto?
Referências
SILVA, Raquel; FORTES, Renata; SOARES, Henrique. Efeitos da suplementação dietética com óleo de coco no perfil lipídico e cardiovascular de indivíduos dislipidêmicos. Brasília méd, v. 48, n. 1, 2011.
SICHIERI, Ana Paula Marques Pino. Potencial antioxidante de extratos de especiarias em sistemas modelo e na estabilidade oxidativa do óleo de soja. 2013. Dissertação (Mestrado em Ciência e Tecnologia de Alimentos) - Escola Superior de Agricultura Luiz de Queiroz, Universidade de São Paulo, Piracicaba, 2013. Disponível em: <http://www.teses.usp.br/teses/disponiveis/11/11141/tde-16122013-145802/>. Acesso em: 2015-10-15.
REGITANO-D`ARCE, M. A. B. Extração e refino de óleos vegetais. In: OETTERER, M.; REGITANO-D`ARCE, M. A. B.; SPOTO, M. H. F.Fundamentos de ciência e tecnologia de alimentos. São Paulo: Manole, 2006a. p. 300-351.
http://www.aboissa.com.br/produtos/view/614/oleo-de-coco.html
http://noticias.r7.com/saude/noticias/oleo-de-coco-e-pura-ilusao-para-perder-peso-e-pode-aumentar-o-colesterol-20120330.html?question=10#quiz
http://www.minhavida.com.br/alimentacao/tudo-sobre/16776-oleo-de-coco-a-gordura-que-emagrece
http://www.eufic.org/page/pt/page/energy-gda/
http://pt.slideshare.net/fabiohpaes/10-h00-2907-eduardo-cavalcanti-int-noticias-trocar-link-banner
sexta-feira, 9 de outubro de 2015
Transgênicos: muita discórdia e pouca informação
Saudações aos leitores do
blog, hoje falaremos um pouco de um assunto que sempre levanta muita polêmica e
tem sido alvo de muitas informações e opiniões superficiais prejudicando o
debate sobre o tema transgênicos. Vamos começar?
Primeiramente o que é transgênico e como
surgiu? Os organismos transgênicos recebem a inserção de um gene exógeno, ou
seja, pertencente a uma espécie diferente. A transgenia e o melhoramento
genético de plantas são processos distintos que buscam o mesmo objetivo: a
melhoria das características de campo e o aumento de sua produtividade. Com
isso, esses dois processos são muito confundidos, como vimos no post anterior.
O melhoramento é um processo em que se cruza diversas variedades de plantas na
busca de uma melhor característica procurada. Esse processo é realizado desde o
início da agricultura e pode ser feito arcaicamente ou com uso de técnicas mais
modernas de mapeamento genético. Já a transgenia é um processo que foi criado
pelo homem e sem ele não ocorreria, sendo, portanto, artificial.
No pós-guerra, ocorreu o advento do uso de
produtos químicos e a intensificação do uso da mecanização e de adubos, porém,
o “milagre” feito pelo uso inadequado destes produtos, criou uma grande pressão
de seleção e contaminações comprovadas, sendo a mais famosa a acumulação
trófica do DDT na águia real americana, que é um dos assuntos tratados do
livro: “A primavera silenciosa” de Raquel Carson em 1963. Esse livro trazia à
tona os efeitos do DDT nessa ave, que tinha sua reprodução prejudicada por se
alimentar de animais que já apresentavam altas taxas de contaminação por esse
inseticida, indicando então, seu uso em grande escala. Com essa exposição
fortemente negativa, as indústrias químicas ficaram com suas imagens bastante
prejudicadas, pois seus produtos eram vistos com grande negatividade pelos
consumidores, e a pressão na busca por alternativas cresceu muito. Essa mudança ocorreu também pela reunião da
ONU de meio ambiente que começou em 72, e é realizada a cada 10 anos (Em 92 ela
foi realizada no Rio, a ECORIO92).
Com esse problema, as empresas encontraram
uma solução pela observação de um fato: na busca por alternativas, a espécie Bacillus tunigienses começou a ser utilizada
para controle de pragas com boa eficiência diminuindo o consumo de inseticidas.
Com isso, as empresas pensaram na ideia de criar uma planta que conseguisse ter
a resistência a pragas e combatê-las, como essa bactéria. Era assim que se
iniciava a ideia dos transgênicos. Contudo, haviam entraves a essa ideia, as indústrias
químicas precisavam se unir às de sementes, que eram separadas na época, para
assim, conseguirem a produção dessas espécies geneticamente modificadas. Dessa
forma, na década de 80 e 90 ocorreu a compra de indústrias de sementes pelas
indústrias químicas e foram criados centros de engenharia genética
(biotecnologia) para incrementar as pesquisas e criar variedades transgênicas. Atualmente,
temos os transgênicos com gene RR (Roundup Ready), resistentes a molécula
glifosato, um herbicida pouco tóxico e não seletivo usado no controle do mato.
Já o gene Bt (Bacillus tunigienses)
controla insetos, principalmente lagartas, reduzindo o uso de inseticidas.
Mas o que isso afeta na produção? Significa
aumento de produtividade a curto prazo e possíveis rendimentos maiores com
economia de processos. Com a tecnologia Bt o produtor aplica menos inseticidas,
e com isso, economiza na compra desses produtos e no diesel que seria utilizado
na aplicação. Assim, o agricultor tem um calendário menos apertado, além é
claro, do ganho ambiental com o menor número de aplicações de inseticidas. Já
no caso da tecnologia RR, a planta é resistente ao glifosato, como já dito
acima, e isso faz com que, ao invés do produtor aplicar diversos herbicidas
para controlar diferentes tipos de plantas invasoras, ele aplica somente um. Isso
gera economia de aplicações, diminuindo o gasto de diesel, e a aplicação de um
herbicida pouco tóxico na escala de toxicidade da ANVISA, podendo haver um
ganho ao produtor em tempo e praticidade, além de um possível ganho ambiental
com o uso de um herbicida menos danoso ao ambiente, ao invés de um usar um
cartel de herbicidas, sendo muitos deles altamente persistentes no ambiente.
Outro tipo de transgenia foi a produção de vitamina A pelo arroz no Sudeste
Asiático evidenciando que futuramente, com a transgenia, podemos ter plantas
mais produtivas e nutritivas, já que o processo de alteração genômica é mais
rápido que o melhoramento genético e mais abrangente, já que podemos criar
plantas com características difíceis ou quase impossíveis de se encontrar no
gene natural da maior parte das plantas cultivadas atualmente.
Mas se parece tão positivo, porque falam tão
mal? Primeiro, já foi dito o desconhecimento da maior parte das pessoas da
diferença entre melhoramento genético e transgenia. Com isso, somado ao temor a
grandes empresas nos processos artificiais e na ingestão de alimentos não
naturais, as pessoas ficam receosas ao assunto. Há sim pesquisas falando sobre
a possibilidade dos alimentos transgênicos serem instáveis e contaminar o nosso
material genético podendo causar tumores, porém nada foi comprovado em seres
humanos. Outros problemas são os possíveis impactos ambientais, pois os animais
podem ser afetados ao consumir o transgênico, principalmente aves, e no caso do
gene Bt, a fauna de insetos nativos pode ser muito afetada, gerando um possível
desiquilíbrio ambiental. O glifosato está sendo usado em excesso, causando a
seleção de plantas resistentes, como a buva, diminuindo a eficiência e fazendo
com que o produtor necessite recorrer a herbicidas mais tóxicos novamente. Além
disso, o glifosato quando é muito utilizado pode causar uma série de doenças,
conforme estudos da comunidade europeia. Com isso, vemos que as plantas
transgênicas causam uma forte pressão de seleção por serem espécies que têm
pouca variedade genética. Por causa disso há a “quebra de resistência” mais
rapidamente, caso que já vemos com as lagartas em milho e algodão Bt, havendo a
necessidade do lançamento de um novo Bt por parte das empresas. Isso demonstra
que os transgênicos podem não estar sendo aproveitados da melhor forma
possível. E também, o pólen das plantas transgênicas pode contaminar plantas
não transgênicas, e além disso, pode contaminar o meio natural, podendo ter
consequências e desequilíbrios, fato ainda não comprovado. O que foi comprovado
é que essa contaminação de pólen contaminou os cultivares crioulos de milho no
México, cultivados há milhares de anos pelos povos que lá residem. O México é
centro de origem do milho, por isso há uma diversidade de variedades de milho
gerando diversidade gênica, muito importante para o melhoramento genético. Com
a contaminação, uma grande quantidade de genes pode ter sido perdida, acarretando
grande danos ao próprio ser humano e a agricultura.
Quais países usam? No Brasil, EUA, China,
Argentina, Canadá e em outros países, o transgênico é liberado. Na Europa e
Japão há resistência e proibições ao uso da tecnologia.
Os transgênicos no Brasil, como é
regulamentado? O Brasil tem controle tanto da pesquisa quanto do cultivo de
espécies transgênicas. A CTNBio é uma comissão que tem representantes de
praticamente todos os segmentos da sociedade brasileira, e ela utiliza normas e
leis relativamente rígidas. Este tipo de controle tem aspectos positivos e
negativos; para as empresas que trabalham com transgênicos, representam
dificuldades e maiores exigências de investimentos em tempo, pessoal e
pesquisa; para a sociedade, representa uma segurança maior para a saúde humana
e para a preservação ambiental. Com isso, demora-se 2 anos para a variedade
transgênica ser liberada após anos de estudos. O que se questiona é, se até
agora não se conseguiu identificar ao certo possíveis impactos com mais de 10
anos de estudos, será que só dois anos são suficientes para se liberar essa
variedade atestando que é segura do ponto de vista ambiental, social, econômico, nutricional e do ponto de vista da saúde? Mas, como é um órgão de confiança, neutro e reconhecido, podemos ter
então um pouco mais de certeza no uso e controle desse tipo de tecnologia.
E o que podemos concluir com toda essa
informação? Esse blog tem como objetivo trazer mais informações com qualidade,
para as pessoas tomarem uma decisão melhor, com melhores argumentos. Nesse caso,
o blog tentou passar uma visão neutra, até porque compartilha dessa visão para
esse assunto. A maior parte dos malefícios e danos dos transgênicos tem poucas
provas científicas, e apesar dos ótimos benefícios, usar essa tecnologia sem o
devido cuidado pode ser um grande desperdício no fim. Então fica a frase de um
professor moderadamente contrário, em que ele afirma que na opinião dele, os
transgênicos são uma grande tecnologia, que pode vir a ser muito útil e
importante, porém é preciso ter cautela e cuidado para não desperdiçá-la ou
cometer um grande erro que leve a um grande impacto.
Referências:
Abreu, A. A. (organizador).
Seminário Internacional Transgênicos no Brasil. São Paulo, Pró-Reitoria de
Cultura e Extensão Universitária da USP, 2005, 308 p.
segunda-feira, 28 de setembro de 2015
Canola: uma planta quase lendária
Nesse post inaugural do blog vamos falar já de uma planta que virou moda falar mal, a canola. Nesse post tentaremos esclarecer um pouco, quebrando alguns mitos que tem sido espalhados por aí, além de tentar explicar os motivos de tantas pessoas falarem mal dessa planta.
Primeiro mito: A canola não é uma planta e seu óleo existe graças a uma invenção da indústria química. As vezes leio algumas coisas na internet e penso: "Uau quanta criatividade! Poderíamos criar muito mais coisas no nosso País." Realmente não sei de onde surgiu isso, mas a canola é sim uma planta, e muito bonita por sinal. Quando a planta floresce o campo é tingido de um amarelo vivo, um espetáculo à parte. Após a flor, forma-se um fruto seco, que são pequenas bolinhas pretas, que se pegarmos percebemos sua oleosidade. Portanto o óleo de canola não é uma invenção, e sim extraído da semente de canola, aderida ao fruto seco.
Segundo mito: A canola na verdade é oriunda da colza, uma planta tóxica aos humanos devido ao ácido erúcico. Essa é uma bela meia verdade. A colza é uma planta que possui um óleo muito semelhante ao da canola, mas possui um composto, que é natural da planta, chamado ácido erúcico que realmente é tóxico aos humanos. Isso impossibilitava a utilização da colza, e seu óleo, apesar de sua ótima composição, rica em ácidos graxos insaturados(gordura polinsturada), só podia ser utilizado em fins não alimentícios. O Canadá então lançou um programa de melhoramento genético para gerar uma variedade de colza, livre do ácido erúcico. Conseguiram, e adivinha o nome? Canola, isso mesmo! CANadian Oil Low Acid, significando que a canola é um tipo de colza que passou pelo processo de melhoramento genético, que faz com que esse novo tipo de colza produza ácido erúcico a níveis bem baixos, dentro do considerado seguro para o FDA (equivalente a Anvisa no Brasil) e orgãos europeus de segurança alimentar, para o consumo humano. Então a canola tem sim um nome oriundo de marketing, mas, ao mesmo tempo, ela foi liberada ao consumo pois tem um óleo tão seguro quanto o de soja. Aliás, é uma cultura muito cultivada na Europa e muito consumida por lá, além de ser a principal matéria-prima para a produção de biodiesel no continente.
Terceiro mito: A canola é uma colza feita por transgenia. Isso gera muita confusão. Melhoramento é o simples cruzamento de plantas (em campo) e a seleção das que possuem as melhores características que desejamos produzir. Já a transgenia é a inserção de um gene de outra espécie na planta para criar essa característica artificialmente. No caso a canola não é transgênica. Mas existe um tipo de canola, que igual ao milho, soja e algodão, possui o gene RR, de resistência ao herbicida Roundup da Monsanto (Glifosato). Essa sim é transgênica, igual a soja e o milho, que igualmente encontramos o óleo no mercado e curiosamente muitas pessoas consomem sem problema algum mesmo sendo oriundos de plantas transgênicas. Porém a canola que é produzida no Brasil não apresenta esse gene RR, sendo então proveniente de melhoramento genético natural.
Quarto mito: O refino do óleo de canola é mais intenso e "modifica" o óleo tornando perigosa sua ingestão. Na verdade a canola teria esse "refino mais intenso" para retirar o ácido erúcico. Mas como a planta já produz pouco não faz sentido. O processo de refino do óleo de canola é o mesmo que o da soja, do milho, do girassol. Sim, isso retira compostos desejáveis como antioxidantes naturais e algumas vitaminas, mas isso acontece em todos os óleos refinados, e mesmo assim eles ainda possuem diversos benefícios, como o alto teor de ácidos graxos insaturados, que podem ajudar a circulação e a prevenção de doenças cardiovasculares entre outros. Se não quer óleo refinado, há opções de azeites gourmet, desde que esteja disposto a pagar um pouco mais para se consumir também os antioxidantes e outros compostos retirados no refino.
Vendo esses argumentos, por que então a canola é tão criticada e rodeada de mitos, defendido e aplaudido como se fossem verdades absolutas?
Hoje há um grande problema: a internet. Nela se pode falar o que quiser, e alguns profissionais se aproveitam da influência de sua profissão e "conhecimento" e começam a perpetuar opiniões de forma como se fosse verdade. Com a canola acontece isso. Leram sobre ela, mostraram uma parte das informações e muitas pessoas acreditaram. Culpa das pessoas? Não, a culpa é de quem oculta a informação. Na verdade deveria ser o contrário, assim como esse blog tenta fazer, de quem tem o conhecimento e quer passá-la deveria passar da forma mais completa possível, pois assim a decisão final fica com a pessoa que lê e recebe a informação. Estamos muito acostumados de receber tudo pronto, "mastigado" ao invés de nos informarmos, pensarmos e refletirmos sobre o assunto e tomar uma decisão.
Isso tem atraído opiniões extremistas e radicais, que pouco contribuem e mais atrapalham o acesso a informação. Quando se defende uma opinião fortemente, com poucos argumentos sérios e muita vontade, duvide. Quando se defende algo com mais crenças do que razão, isso deixa de ser ciência e vira religião, segundo uma pesquisadora me falou outro dia. E é bem isso, as informações contra a canola parece mais uma cruzada da idade média do que ciência propriamente dita.
Por último e para finalizar, a canola por não ter boa produtividade aqui no Brasil e ser produzida em uma área pequena, o alto preço no mercado devido ela ser grandemente importada, estimula a presença de lobby contra ela. A soja, o milho e o girassol são produzidos aqui, e por isso a indústria pode espalhar boatos, ou até pagar para espalhar esses boatos para desestimular o consumo de óleo de canola. Agora, porque ao invés disso não faz uma campanha mostrando que a canola é importada e a soja não? Com argumentos sólidos científicos ao invés de dizer que a canola não é uma planta de Deus, por exemplo? Essa parte do lobby é mais especulação, porém sabemos que isso existe pra diversas áreas e sim pode ocorrer, de forma mais oculta e branda, mas contribuindo pra aumentar a imagem negativa da canola.
Espero que esse post ajude a quem tinha suas dúvidas. E com isso, possa tomar sua decisão com mais clareza e tranquilidade na hora de escolher o óleo para fazer seu arroz de cada dia.
Referências:
http://www.conab.gov.br/OlalaCMS/uploads/arquivos/13_06_10_16_35_08_canolamaio2013.pdf
http://7-themes.com/7004393-canola-fields.html
REGITANO-D`ARCE,
M. A. B. Extração e refino de óleos vegetais. In: OETTERER, M.;
REGITANO-D`ARCE, M. A. B.; SPOTO, M. H. F. Fundamentos
de ciência e tecnologia de alimentos. São Paulo: Manole, 2006a. p. 300-351.
http://abrascanola.com.br/?menu=noticias&id=67
https://www.embrapa.br/web/portal/busca-de-noticias/-/noticia/2034010/situacao-da-canola-na-america-latina
http://abrascanola.com.br/?menu=noticias&id=67
https://www.embrapa.br/web/portal/busca-de-noticias/-/noticia/2034010/situacao-da-canola-na-america-latina
http://abrascanola.com.br/?menu=institucional&sub=cultura_canola
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