Primeiramente da onde vem o óleo de coco e
qual sua composição? Vem, como o nome já diz, do coco fruta. O coco é colhido e
processado em até 48 horas para a obtenção do melhor óleo, após esse período começa
um processo de degradação no óleo, devido ao processo de respiração do fruto, o
que faz ele perder suas características e sua qualidade. Para manter suas
características e sua qualidade organoléptica o óleo é extraído por prensagem a
frio, assim como o azeite de oliva extra virgem, sendo o óleo de coco rotulado
também como azeite de coco extra virgem. A composição do óleo de coco é
predominantemente saturada, aproximadamente 87%.
Mas, as gorduras saturadas não são as que
fazem mal? Em tese sim, as gorduras saturadas são as que devemos consumir menos
(20 g diárias em uma dieta normal), pois em excesso podem contribuir para o
aumento do colesterol ruim (LDL) que pode acarretar entupimentos de vasos e
possíveis problemas como enfartes e AVCs. Porém, temos uma quantidade dessas
gorduras que devemos ingerir, afinal elas têm uma função, principalmente
hormonal, muito importante no nosso organismo. Devemos ingerir 50 g de gordura
total, dessas, 20 g de saturadas. É importante ressaltar isso, temos que ingerir
os dois tipos de gordura, porém, em maior quantidade a gordura insaturada. Se
ingerirmos mais gordura que o recomendado, mesmo que seja do tipo insaturada,
isso pode acarretar problemas, porque o excesso de gorduras insaturadas também
podem, além da obesidade, trazer outros problemas de saúde.
Composição dos óleos vegetais.
Então pode ser ingerido o óleo de coco sem
problemas? Com muita moderação ele pode ser usado sim, como complemento para
dar sabor à pratos e também como fonte de gorduras saturadas. Se sua
alimentação é balanceada, e você leva uma vida ativa, com atividade física,
nada impede sua ingestão leve, de uma pequena colher ao dia, como complemento
de gorduras saturadas.
Complemento de gorduras saturadas? Como
assim? A gordura presente no coco é predominantemente ácido láurico (12:0). Os
ácidos graxos saturados de cadeia mais curta, em especial o láurico, podem
trazer uma série de benefícios ao corpo humano: ele auxilia no sistema
imunológico, pode ajudar na regulação do colesterol, emagrecimento, na
sensibilidade de insulina e ajudar o controle de diabete e da tireóide. Tem boa
função dermatológica, pode atuar na regulação do intestino e também atuar na
diminuição da fadiga crônica e fibromialgia. Todos esses benefícios que estão
sendo melhor pesquisados não podem ser simplesmente perdidos. Então, numa
alimentação saudável, acompanhada de atividade física e uma dose pequena diária,
o óleo de coco pode ser sim bem-vindo na
dieta, complementando os ácidos graxos saturados na
dieta com predominância do ácido láurico, juntamente
com o ômega 3 e 6 advindos dos outros óleos vegetais.
Agora nesse ponto que quero tocar. Há
muitos sites, empresas, nutricionistas, médicos, artistas e tantos outros que
tem feito um grande alarde sobre usar o óleo de coco ao mesmo tempo em que
criticam o uso do óleo refinado. Falam em substituição dos óleo refinados pelo
óleo de coco. Primeiro ponto: como já mostrado, o óleo de coco sozinho não supre
a nossa cota diária de gordura insaturada, comprovadamente benéfica ao coração
e essencial (nosso organismo não produz). Se a dona de casa usar óleo de coco,
numa alimentação pobre em pescados e muitas vezes rica em comidas não saudáveis,
além de sedentarismo, isso pode ser um tiro no pé. O óleo de coco é mais
calórico e pode prejudicar mais do que ajudar, nesse caso. Segundo ponto:
preço. O óleo de soja 1 litro custa 5 reais. O de coco custa em torno de17
reais, 200 ml, é mais caro até que o azeite de oliva muitas vezes importado. É
insustentável atualmente substituir o óleo refinado de soja pelo de coco, o
gasto seria muito grande. Terceiro ponto: óleos refinados fazem “mal a saúde”. O
processo de refino remove dos óleos diversos compostos, dentre eles os fosfolipídeos
(que no caso da soja originam a lecitina), compostos aromáticos, antioxidantes
e vitaminas, além de compostos como ácidos graxos livres, água e alguns outros
compostos que podem acelerar a degradação do óleo, que acarretaria no seu menor
tempo de validade e limitando seu uso. Então o processo de refino não
"estraga" o óleo, não hidrogena, nem modifica, é um processo que
remove tudo o que não é óleo. O maior problema do óleo refinado é que, devido
ao seu alto teor de insaturados, o óleo fica altamente suscetível a oxidação.
Com isso, são adicionados dois tipos de antioxidantes artificiais ao óleo
refinado, TBHQ e BHT, e que, se usados em excesso podem se acumular no
organismo, sendo cancerígenos. Por isso se limita o uso, e muitas indústrias e
universidades tem buscado, através de pesquisa, o uso de antioxidantes
naturais. Há ótimos exemplos do uso de canela, pimenta, cravo, tomilho,
orégano, acerola, em que se extrai esses compostos antioxidantes que auxiliam o
óleo e não são prejudiciais a nossa saúde.
Se eu usar o óleo refinado vou morrer?
Não. Há uma intensa fiscalização e não há indícios de que estão utilizando
acima do limite o TBHQ e o BHT, pode continuar a usar sem problemas o óleo
refinado.
Então sobre o óleo de coco, o que podemos
afirmar dele? Não é um milagre. Aliás, como já afirmei em outros posts: tome
cuidado com palavras fortes como: veneno, milagre, santo remédio. Coloque um pé
atrás, pois isso não é uma maneira científica de se argumentar a favor ou
contra algo. Ele é um óleo rico em gorduras saturadas, por isso é estável mesmo
sendo extraído a frio e não sendo refinado. Possui ácido láurico que pode
trazer benefícios a saúde, mas, por ser altamente calórico, sua ingestão deve
ser moderada e acompanhada de uma dieta saudável.
E você leitor, o que decidiu do assunto?
Referências
SILVA, Raquel; FORTES, Renata; SOARES, Henrique. Efeitos da suplementação dietética com óleo de coco no perfil lipídico e cardiovascular de indivíduos dislipidêmicos. Brasília méd, v. 48, n. 1, 2011.
SICHIERI, Ana Paula Marques Pino. Potencial antioxidante de extratos de especiarias em sistemas modelo e na estabilidade oxidativa do óleo de soja. 2013. Dissertação (Mestrado em Ciência e Tecnologia de Alimentos) - Escola Superior de Agricultura Luiz de Queiroz, Universidade de São Paulo, Piracicaba, 2013. Disponível em: <http://www.teses.usp.br/teses/disponiveis/11/11141/tde-16122013-145802/>. Acesso em: 2015-10-15.
REGITANO-D`ARCE, M. A. B. Extração e refino de óleos vegetais. In: OETTERER, M.; REGITANO-D`ARCE, M. A. B.; SPOTO, M. H. F.Fundamentos de ciência e tecnologia de alimentos. São Paulo: Manole, 2006a. p. 300-351.
http://www.aboissa.com.br/produtos/view/614/oleo-de-coco.html
http://noticias.r7.com/saude/noticias/oleo-de-coco-e-pura-ilusao-para-perder-peso-e-pode-aumentar-o-colesterol-20120330.html?question=10#quiz
http://www.minhavida.com.br/alimentacao/tudo-sobre/16776-oleo-de-coco-a-gordura-que-emagrece
http://www.eufic.org/page/pt/page/energy-gda/
http://pt.slideshare.net/fabiohpaes/10-h00-2907-eduardo-cavalcanti-int-noticias-trocar-link-banner

Nenhum comentário:
Postar um comentário