sexta-feira, 27 de novembro de 2015

Diversificação da alimentação e os desafios de alimentos sem contaminação química

Saudações aos leitores do blog. Hoje falaremos um pouco sobre a inserção de novos alimentos no nosso dia a dia.

Hoje observamos um aumento de tipos de plantas, grãos, verduras nas prateleiras dos supermercados ou nas feiras, e também nas dietas e recomendações de nutricionistas e profissionais de saúde. Vemos hoje Quinoa, Amaranto, Blueberry, Goji berry, uma infinidade de chás e outros temperos e produtos. Isso ajuda as pessoas a conhecerem novos sabores e buscarem complementar a alimentação, tornando uma refeição mais rica e colorida, trazendo grandes benefícios do ponto de vista nutricional. Porém, essas plantas novas que foram citadas acima, tem um preço elevado por terem baixa produção ou serem importadas

Figura 1 - Blueberry (Mirtilo)

Com o consumo dessas novas plantas, também se abrem as portas ao produtor, pois cria-se assim, um novo mercado e muitas espécies podem ser adaptadas, ou já são, ao nosso clima e serem cultivadas por aqui. E o preço mais elevado pode garantir uma diversificação e um aumento de rendimento ao produtor.

A adaptação de uma planta a um novo clima pode ser um processo difícil, pode exigir um grande trabalho, desde melhoramento e de criação de variedades, até uma simples elaboração do correto manejo da nova cultura. Essa adaptação pode não ser perfeita e a cultura exigir uma grande quantidade de insumos, a fim de forçar a planta produzir, o que pode gerar impactos no ambiente ou até mesmo, contaminar o alimento como acontece em muitos casos, devido a necessidade do uso de mais produtos químicos no combate de pragas e doenças. Temos diversas plantas adaptadas, como a couve, berinjela e pimentão e casos de excessos de produtos e insumos nos cultivos destas, que são muitas vezes feitos em época errada, aumentam a fragilidade dessas plantas ao ambiente daqui. Dados da Anvisa são limitados a poucas culturas, e o último levantamento foi em 2012, porém, olhando esses dados somados a de outros grupos de pesquisas da área, vemos um nível de contaminação alarmante dos alimentos.

Um outro ponto é que o Brasil possui uma das maiores biodiversidades do mundo, e assim podemos encontrar diversos tipos de frutas, folhas, flores e grãos, que também podem ter um alto valor nutricional, como no caso do caju, que tem bastante vitamina C, assim como a acerola, que também possui outros compostos antioxidantes e o açaí. Têm-se um trabalho maior para se explorar, catalogar e domesticar plantas nativas, mas a adaptabilidade das condições locais poderia facilitar sua produção e sua qualidade, além de ajudar na diversificação da alimentação. Esse trabalho necessário tem sido desenvolvido com as PANCs (Plantas Alimentícias Não Convencionais), que muita gente acha que é um simples “mato”, mas que pode esconder plantas nutritivas como a beldroega, a serralha e até medicinais como o quebra-pedra. 

Figura 2 - Uvaia, fruto nativo da Mata Atlântica

Figura 3 - Não é açaí, e sim Jussara, fruto nativo da Mata Atlântica

A questão aqui não é criticar as plantas "estrangeiras", pois elas são bem-vindas tanto no âmbito da nutrição como de produção, e sim, tentar mostrar que além destas, existem outros alimentos dentro da nossa própria natureza que não estamos dando o devido valor e que também podem entrar em nossa dieta, aumentando assim, a possibilidade de uma alimentação saudável, uma produção mais sustentável e com menos resíduos de produtos químicos e mais acessível à população.

Algumas frutas nativas pouco exploradas se encontram aqui:
 http://www.nodeoito.com/11-frutas-da-mata-atlantica-que-todo-brasileiro-deveria-conhecer/

E maiores informações sobre PANCs pode ser visto aqui : http://www.jardimdomundo.com/e-essa-planta-da-para-comer/

Aqui o link do PARA (Programa de Análise de Resíduos de Agrotóxicos): http://portal.anvisa.gov.br/wps/content/Anvisa+Portal/Anvisa/Inicio/Agrotoxicos+e+Toxicologia/Assuntos+de+Interesse/Programa+de+Analise+de+Residuos+de+Agrotoxicos+em+Alimentos

http://cupeid.com/lista-da-anvisa-dos-alimentos-com-maior-nivel-de-contaminacao/





quinta-feira, 19 de novembro de 2015

APPs reserva legal: Perda de área produtiva ou benefício a todos?

As áreas de preservação permanente (APP) e as Reservas Legais são por lei áreas de floresta nativa em uma propriedade. Mas qual a função delas? Apenas cumprir por cumprir ou pode trazer algum benefício a propriedade?

Primeiramente vamos explicar rapidamente o que é cada um. A APP é uma área de floresta em que não se pode haver exploração comercial, isso significa que é uma área de mata que tem a única função a preservação. São APPs as áreas de mata ciliar de rios, nascentes, topo de morros e áreas onde há risco de deslizamentos em encostas íngremes ou áreas suscetíveis a erosão. Já a reserva legal é a área de floresta em que não se enquadra como APP e, portanto, pode ser feito o manejo florestal podendo ser incluída na atividade econômica da propriedade. No antigo código florestal, a área obrigatória de floresta nativa dentro da propriedade só levava em conta a área de Reserva Legal, a APP tinha que ser preservada e não entrava na conta. Com o novo código florestal, as APPs entram na conta da área florestal podendo uma propriedade não precisar plantar, por já ter só em APPs a quantidade de floresta que precisa na área.

E de quantos % da área da propriedade agrícola, por lei, tem que ser floresta? Depende do bioma em que está inserida a propriedade, na Amazônia 80%, no cerrado 35% e nos demais biomas 20%. 

E qual o fundamento de se ter uma reserva florestal dentro de uma área agrícola? Vemos que teoricamente se "perde" uma parte da área para atender a legislação, o que gera muita reclamação por parte dos agricultores, muitos questionando pois não sabemos verdadeiro fundamento disso. Como em muitas coisas no Brasil, há imposição pela lei e nem sempre há fiscalização e informações devidamente repassadas aos atingidos pela nova norma, levando ao processo de negligência e desinformação. Mas há fundamento. As áreas de mata ciliares são importantes na proteção dos mananciais, garantindo que produtos químicos não cheguem diretamente à água, diminuindo a exposição dos rios à evaporação e também a formação de enxurradas e erosão/assoreamento dos cursos d'água. No caso das nascentes, as florestas têm a mesma função, ajudando a não secar e assim permitir e garantir a vida de muitos rios, riachos e córregos. Já a Reserva Legal tem como função principal garantir a biodiversidade na propriedade, o que pode permitir a presença de inimigos naturais, pragas e doenças e ajudar na sanidade das culturas, além de poder ser uma área onde pode haver exploração econômica e até mesmo turística, permitindo assim, uma diferenciação nos ganhos da propriedade, além da preservação ambiental propriamente dita, é claro.

Mesmo assim há questionamentos do tipo: "Esse pedacinho de floresta não resolve nada". Se observar no contexto de propriedade, um pedaço de floresta pode parecer que não resolverá nada, mas se juntar todas as propriedades há sim uma diferença. O grande problema talvez, seja a falta de corredores entre os fragmentos de mata de cada propriedade, ou a formação de áreas conjuntas de APP/Reserva, o que permitiria uma área florestal maior e mais integrada, permitindo assim o aumento da biodiversidade e a resiliência da área florestal. Entende-se que cada propriedade destina uma área diferente a atender a legislação ambiental, contudo, a falta de diálogo e de projetos que possam ajudar a integrar os fragmentos sem prejudicar os produtores rurais chama atenção. Assim, vemos poucos projetos, como os do link e do vídeo abaixo, em que se é possível fazer algo e, desse modo, o ambiente e os produtores saírem ganhando.





Pra finalizar, o aumento de áreas florestais poderia diminuir enxurradas e melhorar a infiltração da água no solo, além de preservar e "ressuscitar" nascentes, ou seja, poderia ajudar no aumento de cursos d'água. Isso associado a crise hídrica que assola o Sudeste do país e várias outras regiões, poderia criar um estoque de água maior nos solos e lençóis freáticos, melhorando a situação dos rios e permitindo uma resistência maior a grandes secas. Há vários exemplos de propriedades, onde após a recuperação florestal, a água retornou ao local trazendo mais vida a propriedade. Nesse site pode ser visto um exemplo: https://www.itaipu.gov.br/meioambiente/reposicao-florestal



Referências:




quinta-feira, 12 de novembro de 2015

Jardins verticais e aumento do verde em residências e cidades

Saudações aos leitores do blog. Hoje o assunto é sobre paisagismo. Mais especificamente sobre uma mudança de mentalidade e de estilo: os jardins verticais.

A ideia de se fazer um jardim acima do solo remonta de tempos antigos. Na Antiguidade os babilônios tinham os seus famosos jardins suspensos, sendo inclusive, uma das sete maravilhas do mundo antigo.

Passaram-se muitos anos desde então, e com as cidades modernas, há cada vez menos espaço nas moradias e a pessoa que deseja ter um jardim ou algumas plantas em casa, necessita de um pouco de criatividade. Por isso foi-se pensado em se aproveitar as paredes e a ideia pegou, tanto que temos vários tipos e modelos desse jardim.

Mas porque isso, digamos, virou moda? Como já dito, a necessidade de buscar soluções que ocupam menos espaço hoje é muito importante, e um jardim na parede surgiu como opção, permitindo um melhor aproveitamento do espaço. Outro motivo é que com a criatividade pode-se quebrar a monotonia do ambiente, mesclando combinações de estilos de plantas e flores com diferentes cores, trazendo vida ao espaço.

E quanto custa? É algo que varia muito com o tipo, local e tamanho da parede. Há diversos tipos, desde a colocação de um pano específico, formando um painel, tipos em que se pregam vasos na parede, canos de PVC, jardineiras feitas de material plástico e em outros, pode se fixar um painel, portão antigo ou grade de janela na parede e assim colocar vasos fixados ou então plantas trepadeiras que crescem sobre a grade. O local varia muito, podendo ser área externa ou interna de casas, dentro de ambientes fechados de maneira geral, como apartamentos e escritórios, ou em áreas de luz. Os que exigem mais cuidados são os de área interna, pois vão exigir mais manutenção e também o uso da irrigação por gotejamento, que irriga sem deixar a água escorrer, além de fazer o uso de um tecido especial, onde a terra e planta ficam aderidos, evitando a sujeira e facilitando a fixação das plantas. Duas outras opções podem ser a colocação do painel em parede em cima de espelhos d'água e fontes, ou o uso de tijolos especiais durante a construção, que permitem que a parede forme uma espécie de jardineira. Para as áreas externas, qualquer tipo se encaixa e a irrigação pode ser opcional e também existe um modelo com PVC, fazendo um tipo de hidroponia, onde a água circula dentro dos canos onde as plantas são colocadas. As fotos colocadas abaixo irão evidenciar cada sistema para melhor visualização.

E qual sistema é melhor? Preciso contratar uma empresa ou posso fazer sozinho? Não existe um sistema melhor. Existe o sistema que se adequa ao quanto você pode gastar, que atenda suas exigências (necessidade ou não de molhar) e principalmente, o qual esteticamente agradar mais. Todos os sistemas terão pontos fortes e fracos, cabe ao dono do jardim saber qual atende melhor às suas necessidades. Há grandes empresas no setor, inclusive com sistemas e produtos patenteados para essa modalidade de jardim. Porém, pode ser feito por qualquer um, mas ressalto que assim como todo jardim, é importante muita pesquisa e se possível, uma orientação profissional para evitar problemas e assim conseguir escolher bem as espécies e posicioná-las adequadamente no jardim, além é claro, de se observar fatores importantes como sol, chuva, vento, disponibilidade de água, plantio correto e interação entre plantas. Dessa forma evita-se o famoso "barato sai caro" e a pessoa pode desfrutar da beleza de seu jardim durante muito tempo.


Diversas espécies são usadas, de uma simples samambaia até sistemas em que produzem verduras e temperos, passando por flores como gerânios e mini antúrios, sem esquecer das orquídeas, é claro. Isso mostra que não há um padrão, e sim, a vontade de trazer a interação entre plantas e seres humanos, mais verde e vida às cidades.
                                     Combinação de vasos pregados na parede.    
         
                                        Esse mais alternativo feito de garrafas PET.

             Tijolo especial côncavo, onde forma o jardim vertical durante a construção.

                Painel provavelmente afixado em tecido especial em ambiente interno.

                         Horta/jardim vertical feito a partir da fixação de jardineiras.
                                      Grades de janelas usadas como suporte.

                                     Painel formado por diferentes tipos de folhas.

Referências:




quinta-feira, 5 de novembro de 2015

Um pouco sobre solos

         Saudações aos leitores do blog, hoje falaremos um pouco sobre a importância do solo. Afinal o que é o solo? É apenas aquela terra onde ficam as raízes das plantas, ou ele tem uma importância maior do que isso?

         Primeiramente, uma das funções mais claras do solo é a nutrição e sustentação das plantas. Os nutrientes presentes no solo, a água e os microrganismos benéficos, como bactérias fixadoras de nitrogênio, são absorvidos pelas raízes das plantas. Algumas pessoas até fazem uma analogia das raízes com a boca dos animais. Por isso que adubar, a corrigir e manter o solo úmido contribuem bastante no desenvolvimento das plantas. E maioria das pessoas conhece apenas essa função. Sim, tem mais.

O solo pode evidenciar o passado. A partir das rochas que o formaram, podemos saber o que existia há milhões de anos atrás em um mesmo local. Por exemplo, São Paulo já foi um deserto, ou então podemos saber as regiões em que houve o grande derramamento basáltico, que formou algumas "serras" em SP, como a serra de São Pedro. Na verdade, essa formação advém dessa grande erupção vulcânica, que permitiu a formação de solos muitos férteis na região de Ribeirão Preto. Além disso, o solo é uma das ferramentas que determinam a vegetação. Em solos mais pobres percebemos que cresce uma vegetação mais baixa e menos densa, como a dos cerrados. E em solos áridos, uma outra vegetação mais pobre. Mas o solo sozinho não determina a vegetação, isso depende também da posição do relevo e do clima.

E tem mais. A preservação do solo é um fator muito importante, pois a perda de suas camadas superiores em grandes chuvas por exemplo, pode acarretar em perda do potencial produtivo do solo e diminuir a sua capacidade produtiva, além, é claro, desse solo virar sedimento e ser arrastado para as estradas e inclusive leitos de rios, podendo causar assoreamento dos mesmos. Fora que, o arraste de sedimentos leva a camada adubada e mais produtiva do solo, levando consigo elementos como nitratos, que podem contribuir com a eutrofização e poluição das águas.

Já deu para perceber importância dos solos, eles têm tido um grande destaque para novas técnicas de manejo, de modo que seja cuidado de uma forma melhor e atinja o máximo de sua produtividade.

Mas, ainda assim há problemas, como o excesso do uso de adubos solúveis, poluição de lençóis freáticos, salinização e erosão, e isso tudo devido a uma questão simples até: O solo não é tratado como um organismo vivo, e sim como uma caixa, onde colocamos o adubo e a água, e as plantas apenas retiram o que precisam, depois, repomos com mais adubo e água. O solo na verdade possui vida, pois é também onde se proliferam microrganismos, insetos, minhocas, que são importantes na construção da produtividade do solo. Um solo árido não possui essa riqueza de seres vivos, diferentemente de um solo fértil de floresta. Então, cuidar para manter o solo vivo é uma das chaves para preservá-lo e buscar utilizar todo seu potencial.

E como se preserva o solo e o mantém vivo? Fazer uma análise tanto química quanto física é o primeiro passo. Assim, consegue-se ver qual a necessidade e planejar ações. Mas como todo processo natural, essas ações levam tempo para mostrar resultado e não é em apenas uma safra que o solo milagrosamente vai se recuperar. A fertilidade e um solo produtivo e conservado se constrói. No sistema de plantio direto se percebeu isso, leva-se em alguns casos até 10 anos para atingir uma estabilidade de produção e um sistema produtivo, digamos, " se encaixar".

Com a análise química podemos adubar corretamente, evitando a lixiviação e salinização do solo. Outro fator importante é a rotação de culturas, com adubos verdes formando cobertura morta no solo, protegendo de chuvas e aumentando a atividade dos microrganismos e insetos do solo, que vão degradar essa cobertura morta.  Também usando leguminosas, a fixação natural de nitrogênio desse tipo de planta pode contribuir na adubação natural do solo. Isso, com o tempo, melhorará as condições do solo e permitirá um uso menor de adubos, gerando economia e contribuição ambiental. Por isso que, na pauta de muitos debates ambientais, se fala do uso e manejo correto do solo, por ele ser um dos elementos chaves da preservação ambiental, devido a possibilidade de um menor uso de fertilizantes sintéticos que são altamente poluentes no ambiente.

Dessa forma continuaremos preservando o solo, os recursos hídricos e mantendo um bem valioso, que nos sustenta, nos alimenta e nos traz vida. Por isso, temos que ter consciência do uso do solo e entrar na luta pela sua preservação e correto manejo.

Referências: