quinta-feira, 5 de novembro de 2015

Um pouco sobre solos

         Saudações aos leitores do blog, hoje falaremos um pouco sobre a importância do solo. Afinal o que é o solo? É apenas aquela terra onde ficam as raízes das plantas, ou ele tem uma importância maior do que isso?

         Primeiramente, uma das funções mais claras do solo é a nutrição e sustentação das plantas. Os nutrientes presentes no solo, a água e os microrganismos benéficos, como bactérias fixadoras de nitrogênio, são absorvidos pelas raízes das plantas. Algumas pessoas até fazem uma analogia das raízes com a boca dos animais. Por isso que adubar, a corrigir e manter o solo úmido contribuem bastante no desenvolvimento das plantas. E maioria das pessoas conhece apenas essa função. Sim, tem mais.

O solo pode evidenciar o passado. A partir das rochas que o formaram, podemos saber o que existia há milhões de anos atrás em um mesmo local. Por exemplo, São Paulo já foi um deserto, ou então podemos saber as regiões em que houve o grande derramamento basáltico, que formou algumas "serras" em SP, como a serra de São Pedro. Na verdade, essa formação advém dessa grande erupção vulcânica, que permitiu a formação de solos muitos férteis na região de Ribeirão Preto. Além disso, o solo é uma das ferramentas que determinam a vegetação. Em solos mais pobres percebemos que cresce uma vegetação mais baixa e menos densa, como a dos cerrados. E em solos áridos, uma outra vegetação mais pobre. Mas o solo sozinho não determina a vegetação, isso depende também da posição do relevo e do clima.

E tem mais. A preservação do solo é um fator muito importante, pois a perda de suas camadas superiores em grandes chuvas por exemplo, pode acarretar em perda do potencial produtivo do solo e diminuir a sua capacidade produtiva, além, é claro, desse solo virar sedimento e ser arrastado para as estradas e inclusive leitos de rios, podendo causar assoreamento dos mesmos. Fora que, o arraste de sedimentos leva a camada adubada e mais produtiva do solo, levando consigo elementos como nitratos, que podem contribuir com a eutrofização e poluição das águas.

Já deu para perceber importância dos solos, eles têm tido um grande destaque para novas técnicas de manejo, de modo que seja cuidado de uma forma melhor e atinja o máximo de sua produtividade.

Mas, ainda assim há problemas, como o excesso do uso de adubos solúveis, poluição de lençóis freáticos, salinização e erosão, e isso tudo devido a uma questão simples até: O solo não é tratado como um organismo vivo, e sim como uma caixa, onde colocamos o adubo e a água, e as plantas apenas retiram o que precisam, depois, repomos com mais adubo e água. O solo na verdade possui vida, pois é também onde se proliferam microrganismos, insetos, minhocas, que são importantes na construção da produtividade do solo. Um solo árido não possui essa riqueza de seres vivos, diferentemente de um solo fértil de floresta. Então, cuidar para manter o solo vivo é uma das chaves para preservá-lo e buscar utilizar todo seu potencial.

E como se preserva o solo e o mantém vivo? Fazer uma análise tanto química quanto física é o primeiro passo. Assim, consegue-se ver qual a necessidade e planejar ações. Mas como todo processo natural, essas ações levam tempo para mostrar resultado e não é em apenas uma safra que o solo milagrosamente vai se recuperar. A fertilidade e um solo produtivo e conservado se constrói. No sistema de plantio direto se percebeu isso, leva-se em alguns casos até 10 anos para atingir uma estabilidade de produção e um sistema produtivo, digamos, " se encaixar".

Com a análise química podemos adubar corretamente, evitando a lixiviação e salinização do solo. Outro fator importante é a rotação de culturas, com adubos verdes formando cobertura morta no solo, protegendo de chuvas e aumentando a atividade dos microrganismos e insetos do solo, que vão degradar essa cobertura morta.  Também usando leguminosas, a fixação natural de nitrogênio desse tipo de planta pode contribuir na adubação natural do solo. Isso, com o tempo, melhorará as condições do solo e permitirá um uso menor de adubos, gerando economia e contribuição ambiental. Por isso que, na pauta de muitos debates ambientais, se fala do uso e manejo correto do solo, por ele ser um dos elementos chaves da preservação ambiental, devido a possibilidade de um menor uso de fertilizantes sintéticos que são altamente poluentes no ambiente.

Dessa forma continuaremos preservando o solo, os recursos hídricos e mantendo um bem valioso, que nos sustenta, nos alimenta e nos traz vida. Por isso, temos que ter consciência do uso do solo e entrar na luta pela sua preservação e correto manejo.

Referências:


Nenhum comentário:

Postar um comentário