quinta-feira, 22 de outubro de 2015

O frango e os hormônios

Saudações aos leitores do blog. O assunto de hoje é bem conhecido de boa parte das pessoas. Quem nunca ouviu a frase: " Nossa os frangos crescem rápido hoje em dia, imagine a quantidade de hormônio!" e isso se propagou como se fosse algo absoluto, mas será que o frango recebe hormônio para crescer mais rápido?

Primeiramente quanto tempo leva para um frango, em um galinheiro comum onde os animais crescem livres, crescer e ser abatido? Chega até 6 meses em alguns casos, mas na produção orgânica atual leva um mínimo de 81 dias para o frango ser abatido. E no sistema de granjas? Antigamente, na década de 1950, levava uma média de 90 dias. Atualmente se leva em média 44 dias, sendo que em algumas granjas se leva 40 dias para se abater o frango, ou seja uma redução de até 1/3 do tempo em relação a 1950.

Então essa redução de tempo de ganho de peso do frango para poder ser abatido só pode ser hormônio certo? Errado. Esse ganho de tempo está muito relacionado com o melhoramento genético. Houve um grande avanço nessa área na avicultura, em que houve um grande e bem feito trabalho, o que permitiu selecionar raças que ganham peso mais rapidamente e que são mais resistentes a problemas sanitários. Só nessa área permitiu uma queda gradativa no tempo médio para abate. Além disso, houve avanços na área de nutrição animal, onde se conseguiu elaborar uma melhor dieta aos animais, mais balanceada, o que permitiu um melhor aproveitamento dos alimentos pelos animais e uma melhor conversão em peso. Também houve avanços no manejo do ambiente nos galpões dos frangos e na parte sanitária, em que a evolução permite uma carne de qualidade, livre de contaminações e uma melhor saúde dos frangos na granja.

Se isso ainda não o convenceu, a legislação brasileira não permite o uso de hormônios em aves, e há um programa de intensa fiscalização e análise das carnes de frango e não têm sido encontradas amostras dessas carnes que apresentem indícios ou resíduos de uso de hormônios para crescimento. Esse programa, gera um selo que vai na embalagem do frango informando ao consumidor que a carne foi produzida sem o uso de hormônios.

Mas então de onde pode ter surgido essa "especulação"? Com essa diminuição do tempo para ganho de peso, a cadeia de produção de carne de frango ganhou muito em produtividade. Isso fez com que caíssem os custos e a oferta de frangos aumentassem, tornando a carne de frango vantajosa ao consumidor. O setor de carne bovina, vendo esse aumento de consumo da carne de frango, pode ter auxiliado na disseminação dessa "desinformação" como estratégia, criando um marketing negativo tentando frear o consumo de carne de frango. Mas, isso é apenas especulação do blog, não tem nada comprovado sobre isso.

Alguns grupos que valorizam uma produção mais justa e que se preocupa com o bem-estar animal, compraram a ideia, muitas vezes na inocência, para tentar provar o seu ponto de vista contrário à carne de frango. A grande questão contrária reside na superlotação de galpões e falta de liberdade aos animais, o que faz a com que seja necessário um rigoroso controle fitossanitário, afim de se evitar epidemias nos frangos e para que isso não ocorra alguns produtores podem fazer o uso indiscriminado de muitos antibióticos, o que pode causar a seleção de bactérias resistentes a esses antibióticos utilizados. A superpopulação dificulta a movimentação dos frangos e, com a ração farta e próxima, facilita a engorda dos frangos. A crítica reside nesse uso de superpopulações e na falta de liberdade para os frangos poderem se movimentar e ciscar.  Para isso existem sistemas mais naturais, como o orgânico, em que os animais crescem livres e em menores populações em cada galpão que dormem. O uso de antibióticos é bem menor (só em casos em que são realmente necessários), os animais se alimentam tanto de ração quanto do que ciscam durante o dia, e com essa movimentação os animais gastam mais energia, fazendo com que sejam necessários mais dias para a engorda.

         A figura de cima é de uma granja orgânica e a de baixo granja convencional

        
          A cadeia da carne de frango não é perfeita e apresenta alguns problemas, porém, na parte que concerne controle de qualidade e não uso de hormônios de crescimento nos animais, essa cadeia tem atuado muito bem e necessita manter e até mesmo intensificar esse controle para continuar produzindo sem hormônios e atrair mais a confiança do consumidor em seu produto. Mais informações sobre esse controle a última referência pode ajudar a dar mais detalhes.


Espero que as pessoas usem outro argumento para não comer carne de frango.

Referências: 

http://www.em.com.br/app/noticia/economia/2014/12/15/internas_economia,599529/criadores-de-frangos-utilizam-tecnicas-que-reduzem-a-metade-o-tempo-para-abate-das-aves.shtml

http://www.sindpzoo.org/news/hormonio-em-frangos-e-mito/

http://www.guaraves.com.br/?page_id=20

http://www.fiesp.com.br/indices-pesquisas-e-publicacoes/iniciativas-sustentaveis-korin/

http://www.agricultura.gov.br/animal/especies/aves

http://www.agricultura.gov.br/animal/dipoa/dipoa-consumidor/mitos-fatos

quinta-feira, 15 de outubro de 2015

Óleo de coco: mais uma opção em uma dieta saudável?

      Saudações aos leitores do blog. O óleo de coco tem levantado bastante incerteza na comunidade acadêmica, e para muitos nutricionistas e programas de televisão ele tem sido mostrado muitas vezes como melhor que os óleos de soja por exemplo. O que há de verdade em tudo isso?

         Primeiramente da onde vem o óleo de coco e qual sua composição? Vem, como o nome já diz, do coco fruta. O coco é colhido e processado em até 48 horas para a obtenção do melhor óleo, após esse período começa um processo de degradação no óleo, devido ao processo de respiração do fruto, o que faz ele perder suas características e sua qualidade. Para manter suas características e sua qualidade organoléptica o óleo é extraído por prensagem a frio, assim como o azeite de oliva extra virgem, sendo o óleo de coco rotulado também como azeite de coco extra virgem. A composição do óleo de coco é predominantemente saturada, aproximadamente 87%.

Mas, as gorduras saturadas não são as que fazem mal? Em tese sim, as gorduras saturadas são as que devemos consumir menos (20 g diárias em uma dieta normal), pois em excesso podem contribuir para o aumento do colesterol ruim (LDL) que pode acarretar entupimentos de vasos e possíveis problemas como enfartes e AVCs. Porém, temos uma quantidade dessas gorduras que devemos ingerir, afinal elas têm uma função, principalmente hormonal, muito importante no nosso organismo. Devemos ingerir 50 g de gordura total, dessas, 20 g de saturadas. É importante ressaltar isso, temos que ingerir os dois tipos de gordura, porém, em maior quantidade a gordura insaturada. Se ingerirmos mais gordura que o recomendado, mesmo que seja do tipo insaturada, isso pode acarretar problemas, porque o excesso de gorduras insaturadas também podem, além da obesidade, trazer outros problemas de saúde.
Composição dos óleos vegetais.

Então pode ser ingerido o óleo de coco sem problemas? Com muita moderação ele pode ser usado sim, como complemento para dar sabor à pratos e também como fonte de gorduras saturadas. Se sua alimentação é balanceada, e você leva uma vida ativa, com atividade física, nada impede sua ingestão leve, de uma pequena colher ao dia, como complemento de gorduras saturadas.

Complemento de gorduras saturadas? Como assim? A gordura presente no coco é predominantemente ácido láurico (12:0). Os ácidos graxos saturados de cadeia mais curta, em especial o láurico, podem trazer uma série de benefícios ao corpo humano: ele auxilia no sistema imunológico, pode ajudar na regulação do colesterol, emagrecimento, na sensibilidade de insulina e ajudar o controle de diabete e da tireóide. Tem boa função dermatológica, pode atuar na regulação do intestino e também atuar na diminuição da fadiga crônica e fibromialgia. Todos esses benefícios que estão sendo melhor pesquisados não podem ser simplesmente perdidos. Então, numa alimentação saudável, acompanhada de atividade física e uma dose pequena diária, o óleo de coco pode ser sim bem-vindo na dieta, complementando os ácidos graxos saturados na dieta com predominância do ácido láurico, juntamente com o ômega 3 e 6 advindos dos outros óleos vegetais.

Agora nesse ponto que quero tocar. Há muitos sites, empresas, nutricionistas, médicos, artistas e tantos outros que tem feito um grande alarde sobre usar o óleo de coco ao mesmo tempo em que criticam o uso do óleo refinado. Falam em substituição dos óleo refinados pelo óleo de coco. Primeiro ponto: como já mostrado, o óleo de coco sozinho não supre a nossa cota diária de gordura insaturada, comprovadamente benéfica ao coração e essencial (nosso organismo não produz). Se a dona de casa usar óleo de coco, numa alimentação pobre em pescados e muitas vezes rica em comidas não saudáveis, além de sedentarismo, isso pode ser um tiro no pé. O óleo de coco é mais calórico e pode prejudicar mais do que ajudar, nesse caso. Segundo ponto: preço. O óleo de soja 1 litro custa 5 reais. O de coco custa em torno de17 reais, 200 ml, é mais caro até que o azeite de oliva muitas vezes importado. É insustentável atualmente substituir o óleo refinado de soja pelo de coco, o gasto seria muito grande. Terceiro ponto: óleos refinados fazem “mal a saúde”. O processo de refino remove dos óleos diversos compostos, dentre eles os fosfolipídeos (que no caso da soja originam a lecitina), compostos aromáticos, antioxidantes e vitaminas, além de compostos como ácidos graxos livres, água e alguns outros compostos que podem acelerar a degradação do óleo, que acarretaria no seu menor tempo de validade e limitando seu uso. Então o processo de refino não "estraga" o óleo, não hidrogena, nem modifica, é um processo que remove tudo o que não é óleo. O maior problema do óleo refinado é que, devido ao seu alto teor de insaturados, o óleo fica altamente suscetível a oxidação. Com isso, são adicionados dois tipos de antioxidantes artificiais ao óleo refinado, TBHQ e BHT, e que, se usados em excesso podem se acumular no organismo, sendo cancerígenos. Por isso se limita o uso, e muitas indústrias e universidades tem buscado, através de pesquisa, o uso de antioxidantes naturais. Há ótimos exemplos do uso de canela, pimenta, cravo, tomilho, orégano, acerola, em que se extrai esses compostos antioxidantes que auxiliam o óleo e não são prejudiciais a nossa saúde.

Se eu usar o óleo refinado vou morrer? Não. Há uma intensa fiscalização e não há indícios de que estão utilizando acima do limite o TBHQ e o BHT, pode continuar a usar sem problemas o óleo refinado. 

Então sobre o óleo de coco, o que podemos afirmar dele? Não é um milagre. Aliás, como já afirmei em outros posts: tome cuidado com palavras fortes como: veneno, milagre, santo remédio. Coloque um pé atrás, pois isso não é uma maneira científica de se argumentar a favor ou contra algo. Ele é um óleo rico em gorduras saturadas, por isso é estável mesmo sendo extraído a frio e não sendo refinado. Possui ácido láurico que pode trazer benefícios a saúde, mas, por ser altamente calórico, sua ingestão deve ser moderada e acompanhada de uma dieta saudável. 

E você leitor, o que decidiu do assunto?

Referências

SILVA, Raquel; FORTES, Renata; SOARES, Henrique. Efeitos da suplementação dietética com óleo de coco no perfil lipídico e cardiovascular de indivíduos dislipidêmicos. Brasília méd, v. 48, n. 1, 2011.

SICHIERI, Ana Paula Marques Pino. Potencial antioxidante de extratos de especiarias em sistemas modelo e na estabilidade oxidativa do óleo de soja. 2013. Dissertação (Mestrado em Ciência e Tecnologia de Alimentos) - Escola Superior de Agricultura Luiz de Queiroz, Universidade de São Paulo, Piracicaba, 2013. Disponível em: <http://www.teses.usp.br/teses/disponiveis/11/11141/tde-16122013-145802/>. Acesso em: 2015-10-15.

REGITANO-D`ARCE, M. A. B. Extração e refino de óleos vegetais. In: OETTERER, M.; REGITANO-D`ARCE, M. A. B.; SPOTO, M. H. F.Fundamentos de ciência e tecnologia de alimentos. São Paulo: Manole, 2006a. p. 300-351.


http://www.aboissa.com.br/produtos/view/614/oleo-de-coco.html
http://noticias.r7.com/saude/noticias/oleo-de-coco-e-pura-ilusao-para-perder-peso-e-pode-aumentar-o-colesterol-20120330.html?question=10#quiz
http://www.minhavida.com.br/alimentacao/tudo-sobre/16776-oleo-de-coco-a-gordura-que-emagrece
 http://www.eufic.org/page/pt/page/energy-gda/
http://pt.slideshare.net/fabiohpaes/10-h00-2907-eduardo-cavalcanti-int-noticias-trocar-link-banner

sexta-feira, 9 de outubro de 2015

Transgênicos: muita discórdia e pouca informação

Saudações aos leitores do blog, hoje falaremos um pouco de um assunto que sempre levanta muita polêmica e tem sido alvo de muitas informações e opiniões superficiais prejudicando o debate sobre o tema transgênicos. Vamos começar?
Primeiramente o que é transgênico e como surgiu? Os organismos transgênicos recebem a inserção de um gene exógeno, ou seja, pertencente a uma espécie diferente. A transgenia e o melhoramento genético de plantas são processos distintos que buscam o mesmo objetivo: a melhoria das características de campo e o aumento de sua produtividade. Com isso, esses dois processos são muito confundidos, como vimos no post anterior. O melhoramento é um processo em que se cruza diversas variedades de plantas na busca de uma melhor característica procurada. Esse processo é realizado desde o início da agricultura e pode ser feito arcaicamente ou com uso de técnicas mais modernas de mapeamento genético. Já a transgenia é um processo que foi criado pelo homem e sem ele não ocorreria, sendo, portanto, artificial.
No pós-guerra, ocorreu o advento do uso de produtos químicos e a intensificação do uso da mecanização e de adubos, porém, o “milagre” feito pelo uso inadequado destes produtos, criou uma grande pressão de seleção e contaminações comprovadas, sendo a mais famosa a acumulação trófica do DDT na águia real americana, que é um dos assuntos tratados do livro: “A primavera silenciosa” de Raquel Carson em 1963. Esse livro trazia à tona os efeitos do DDT nessa ave, que tinha sua reprodução prejudicada por se alimentar de animais que já apresentavam altas taxas de contaminação por esse inseticida, indicando então, seu uso em grande escala. Com essa exposição fortemente negativa, as indústrias químicas ficaram com suas imagens bastante prejudicadas, pois seus produtos eram vistos com grande negatividade pelos consumidores, e a pressão na busca por alternativas cresceu muito.  Essa mudança ocorreu também pela reunião da ONU de meio ambiente que começou em 72, e é realizada a cada 10 anos (Em 92 ela foi realizada no Rio, a ECORIO92).
Com esse problema, as empresas encontraram uma solução pela observação de um fato: na busca por alternativas, a espécie Bacillus tunigienses começou a ser utilizada para controle de pragas com boa eficiência diminuindo o consumo de inseticidas. Com isso, as empresas pensaram na ideia de criar uma planta que conseguisse ter a resistência a pragas e combatê-las, como essa bactéria. Era assim que se iniciava a ideia dos transgênicos. Contudo, haviam entraves a essa ideia, as indústrias químicas precisavam se unir às de sementes, que eram separadas na época, para assim, conseguirem a produção dessas espécies geneticamente modificadas. Dessa forma, na década de 80 e 90 ocorreu a compra de indústrias de sementes pelas indústrias químicas e foram criados centros de engenharia genética (biotecnologia) para incrementar as pesquisas e criar variedades transgênicas. Atualmente, temos os transgênicos com gene RR (Roundup Ready), resistentes a molécula glifosato, um herbicida pouco tóxico e não seletivo usado no controle do mato. Já o gene Bt (Bacillus tunigienses) controla insetos, principalmente lagartas, reduzindo o uso de inseticidas.

Mas o que isso afeta na produção? Significa aumento de produtividade a curto prazo e possíveis rendimentos maiores com economia de processos. Com a tecnologia Bt o produtor aplica menos inseticidas, e com isso, economiza na compra desses produtos e no diesel que seria utilizado na aplicação. Assim, o agricultor tem um calendário menos apertado, além é claro, do ganho ambiental com o menor número de aplicações de inseticidas. Já no caso da tecnologia RR, a planta é resistente ao glifosato, como já dito acima, e isso faz com que, ao invés do produtor aplicar diversos herbicidas para controlar diferentes tipos de plantas invasoras, ele aplica somente um. Isso gera economia de aplicações, diminuindo o gasto de diesel, e a aplicação de um herbicida pouco tóxico na escala de toxicidade da ANVISA, podendo haver um ganho ao produtor em tempo e praticidade, além de um possível ganho ambiental com o uso de um herbicida menos danoso ao ambiente, ao invés de um usar um cartel de herbicidas, sendo muitos deles altamente persistentes no ambiente. Outro tipo de transgenia foi a produção de vitamina A pelo arroz no Sudeste Asiático evidenciando que futuramente, com a transgenia, podemos ter plantas mais produtivas e nutritivas, já que o processo de alteração genômica é mais rápido que o melhoramento genético e mais abrangente, já que podemos criar plantas com características difíceis ou quase impossíveis de se encontrar no gene natural da maior parte das plantas cultivadas atualmente.

Mas se parece tão positivo, porque falam tão mal? Primeiro, já foi dito o desconhecimento da maior parte das pessoas da diferença entre melhoramento genético e transgenia. Com isso, somado ao temor a grandes empresas nos processos artificiais e na ingestão de alimentos não naturais, as pessoas ficam receosas ao assunto. Há sim pesquisas falando sobre a possibilidade dos alimentos transgênicos serem instáveis e contaminar o nosso material genético podendo causar tumores, porém nada foi comprovado em seres humanos. Outros problemas são os possíveis impactos ambientais, pois os animais podem ser afetados ao consumir o transgênico, principalmente aves, e no caso do gene Bt, a fauna de insetos nativos pode ser muito afetada, gerando um possível desiquilíbrio ambiental. O glifosato está sendo usado em excesso, causando a seleção de plantas resistentes, como a buva, diminuindo a eficiência e fazendo com que o produtor necessite recorrer a herbicidas mais tóxicos novamente. Além disso, o glifosato quando é muito utilizado pode causar uma série de doenças, conforme estudos da comunidade europeia. Com isso, vemos que as plantas transgênicas causam uma forte pressão de seleção por serem espécies que têm pouca variedade genética. Por causa disso há a “quebra de resistência” mais rapidamente, caso que já vemos com as lagartas em milho e algodão Bt, havendo a necessidade do lançamento de um novo Bt por parte das empresas. Isso demonstra que os transgênicos podem não estar sendo aproveitados da melhor forma possível. E também, o pólen das plantas transgênicas pode contaminar plantas não transgênicas, e além disso, pode contaminar o meio natural, podendo ter consequências e desequilíbrios, fato ainda não comprovado. O que foi comprovado é que essa contaminação de pólen contaminou os cultivares crioulos de milho no México, cultivados há milhares de anos pelos povos que lá residem. O México é centro de origem do milho, por isso há uma diversidade de variedades de milho gerando diversidade gênica, muito importante para o melhoramento genético. Com a contaminação, uma grande quantidade de genes pode ter sido perdida, acarretando grande danos ao próprio ser humano e a agricultura.

Quais países usam? No Brasil, EUA, China, Argentina, Canadá e em outros países, o transgênico é liberado. Na Europa e Japão há resistência e proibições ao uso da tecnologia.

Os transgênicos no Brasil, como é regulamentado? O Brasil tem controle tanto da pesquisa quanto do cultivo de espécies transgênicas. A CTNBio é uma comissão que tem representantes de praticamente todos os segmentos da sociedade brasileira, e ela utiliza normas e leis relativamente rígidas. Este tipo de controle tem aspectos positivos e negativos; para as empresas que trabalham com transgênicos, representam dificuldades e maiores exigências de investimentos em tempo, pessoal e pesquisa; para a sociedade, representa uma segurança maior para a saúde humana e para a preservação ambiental. Com isso, demora-se 2 anos para a variedade transgênica ser liberada após anos de estudos. O que se questiona é, se até agora não se conseguiu identificar ao certo possíveis impactos com mais de 10 anos de estudos, será que só dois anos são suficientes para se liberar essa variedade atestando que é segura do ponto de vista ambiental, social, econômico, nutricional e do ponto de vista da saúde? Mas, como é um órgão de confiança, neutro e reconhecido, podemos ter então um pouco mais de certeza no uso e controle desse tipo de tecnologia.

E o que podemos concluir com toda essa informação? Esse blog tem como objetivo trazer mais informações com qualidade, para as pessoas tomarem uma decisão melhor, com melhores argumentos. Nesse caso, o blog tentou passar uma visão neutra, até porque compartilha dessa visão para esse assunto. A maior parte dos malefícios e danos dos transgênicos tem poucas provas científicas, e apesar dos ótimos benefícios, usar essa tecnologia sem o devido cuidado pode ser um grande desperdício no fim. Então fica a frase de um professor moderadamente contrário, em que ele afirma que na opinião dele, os transgênicos são uma grande tecnologia, que pode vir a ser muito útil e importante, porém é preciso ter cautela e cuidado para não desperdiçá-la ou cometer um grande erro que leve a um grande impacto.

Referências:

Abreu, A. A. (organizador). Seminário Internacional Transgênicos no Brasil. São Paulo, Pró-Reitoria de Cultura e Extensão Universitária da USP, 2005, 308 p.

http://info.abril.com.br/noticias/ciencia/2013/11/primeiro-arroz-transgenico-sera-lancado-comercialmente-ate-2016.shtml

http://www.agricultura.gov.br/vegetal/organismos-geneticamente-modificados

Carson, R. (2002). Silent spring. Houghton Mifflin Harcourt.

http://descubra.monsanto.com.br/sustentabilidade/