Saudações aos leitores do blog. O assunto
de hoje é bem conhecido de boa parte das pessoas. Quem nunca ouviu a frase:
" Nossa os frangos crescem rápido hoje em dia, imagine a quantidade de
hormônio!" e isso se propagou como se fosse algo absoluto, mas será que o
frango recebe hormônio para crescer mais rápido?
Primeiramente quanto tempo leva para um
frango, em um galinheiro comum onde os animais crescem livres, crescer e ser
abatido? Chega até 6 meses em alguns casos, mas na produção orgânica atual leva
um mínimo de 81 dias para o frango ser abatido. E no sistema de granjas?
Antigamente, na década de 1950, levava uma média de 90 dias. Atualmente se leva
em média 44 dias, sendo que em algumas granjas se leva 40 dias para se abater o
frango, ou seja uma redução de até 1/3 do tempo em relação a 1950.
Então essa redução de tempo de ganho de
peso do frango para poder ser abatido só pode ser hormônio certo? Errado. Esse
ganho de tempo está muito relacionado com o melhoramento genético. Houve um
grande avanço nessa área na avicultura, em que houve um grande e bem feito
trabalho, o que permitiu selecionar raças que ganham peso mais rapidamente e
que são mais resistentes a problemas sanitários. Só nessa área permitiu uma
queda gradativa no tempo médio para abate. Além disso, houve avanços na área de
nutrição animal, onde se conseguiu elaborar uma melhor dieta aos animais, mais
balanceada, o que permitiu um melhor aproveitamento dos alimentos pelos animais
e uma melhor conversão em peso. Também houve avanços no manejo do ambiente nos
galpões dos frangos e na parte sanitária, em que a evolução permite uma carne
de qualidade, livre de contaminações e uma melhor saúde dos frangos na granja.
Se isso ainda não o convenceu, a
legislação brasileira não permite o uso de hormônios em aves, e há um programa
de intensa fiscalização e análise das carnes de frango e não têm sido
encontradas amostras dessas carnes que apresentem indícios ou resíduos de uso
de hormônios para crescimento. Esse programa, gera um selo que vai na embalagem
do frango informando ao consumidor que a carne foi produzida sem o uso de
hormônios.
Mas então de onde pode ter surgido essa
"especulação"? Com essa diminuição do tempo para ganho de peso,
a cadeia de produção de carne de frango ganhou muito em produtividade. Isso fez
com que caíssem os custos e a oferta de frangos aumentassem, tornando a carne
de frango vantajosa ao consumidor. O setor de carne bovina, vendo esse aumento
de consumo da carne de frango, pode ter auxiliado na disseminação dessa
"desinformação" como estratégia, criando um marketing negativo
tentando frear o consumo de carne de frango. Mas, isso é apenas especulação do
blog, não tem nada comprovado sobre isso.
Alguns grupos que valorizam uma produção
mais justa e que se preocupa com o bem-estar animal, compraram a ideia, muitas
vezes na inocência, para tentar provar o seu ponto de vista contrário à carne
de frango. A grande questão contrária reside na superlotação de galpões e falta
de liberdade aos animais, o que faz a com que seja necessário um rigoroso controle
fitossanitário, afim de se evitar epidemias nos frangos e para que isso não
ocorra alguns produtores podem fazer o uso indiscriminado de muitos
antibióticos, o que pode causar a seleção de bactérias resistentes a esses
antibióticos utilizados. A superpopulação dificulta a movimentação dos frangos
e, com a ração farta e próxima, facilita a engorda dos frangos. A crítica
reside nesse uso de superpopulações e na falta de liberdade para os frangos
poderem se movimentar e ciscar. Para isso existem sistemas mais naturais,
como o orgânico, em que os animais crescem livres e em menores populações em
cada galpão que dormem. O uso de antibióticos é bem menor (só em casos em que
são realmente necessários), os animais se alimentam tanto de ração quanto do
que ciscam durante o dia, e com essa movimentação os animais gastam mais
energia, fazendo com que sejam necessários mais dias para a engorda.
A figura de cima é de uma granja orgânica e a de baixo granja convencional
A cadeia da carne de frango não é
perfeita e apresenta alguns problemas, porém, na parte que concerne controle de
qualidade e não uso de hormônios de crescimento nos animais, essa cadeia tem
atuado muito bem e necessita manter e até mesmo intensificar esse controle para
continuar produzindo sem hormônios e atrair mais a confiança do consumidor em
seu produto. Mais informações sobre esse controle a última referência pode ajudar a dar mais detalhes.
Espero que as pessoas usem outro argumento
para não comer carne de frango.
Referências:
http://www.sindpzoo.org/news/hormonio-em-frangos-e-mito/
http://www.guaraves.com.br/?page_id=20
http://www.fiesp.com.br/indices-pesquisas-e-publicacoes/iniciativas-sustentaveis-korin/
http://www.agricultura.gov.br/animal/especies/aves
http://www.agricultura.gov.br/animal/dipoa/dipoa-consumidor/mitos-fatos


