Saudações aos leitores do blog. Hoje falaremos um pouco sobre a palma, planta que tem sido alvo de investimentos e que terá um papel cada vez mais crescente no nosso dia dia nos próximos anos.
Primeiro o que é a palma? É uma palmeira, também conhecida por aqui por dendê. Seus frutos são ricos em óleo, onde se retira o azeite, ou frações desse óleo, gerando a oleína e a gordura de palma. Seu óleo possui qualidade e interesse tanto na produção de biodiesel, como na indústria de alimentos, sendo usada em chocolates e sorvetes principalmente, sendo uma boa opção para substituição da gordura hidrogenada. A planta, originária da Costa Ocidental da África, é adaptada ao clima Equatorial, ou tropical úmido, exigente de alta quantidade de água e de altas temperaturas o ano todo.
Após conhecer um pouco sobre a planta, como ela veio ao Brasil? Ela foi trazida pelos portugueses e plantada na Bahia, onde foi inserida na culinária local (azeite de dendê). Mas, durante muito tempo foi cultura marginal por aqui enquanto lá fora é o óleo mais consumido no mundo soja e sua produção está concentrada 85% entre Malásia e Indonésia.
Então porque de falar sobre a palma sendo que é pouco produzida no Brasil? Exatamente porque esse panorama tende a mudar. A palma é uma planta que leva em média 7 anos para produzir, e após isso consegue seguir em produção por 25/30 anos. A cultura, a partir de 2008, começou a receber grandes investimentos por aqui, principalmente no estado do Pará, que concentra 95% da produção brasileira hoje. O investimento principal advém da Vale, empresa mineradora, por meio de sua filial a Biopalma, cujo interesse é voltado na compensação ambiental de áreas de mineração no estado, assim a empresa banca a recuperação de áreas degradadas, onde se recupera a floresta, e se implanta um sistema de produção dos frutos de palma, podendo também essa produção estar consorciada com a floresta num modelo de SAF (Sistema Agroflorestal). Esse investimento é justificado também como ação da empresa para diminuir emissões de CO2 na atmosfera, já que a Vale planeja a utilização do B20 (20% de biodiesel adicionado ao diesel comum) em toda a sua frota, além do resíduo da usina de biodiesel ser usado na adubação da palma e na geração de energia.
Esse impulso de investimento também se deve a duas causas principais: biodiesel e diminuição do uso de gordura hidrogenada na indústria de alimentos. O óleo de palma para a produção de biodiesel é adequado, porque apresenta boa estabilidade, o único porém é a limitação no seu uso em locais com baixas temperaturas, pois seu alto grau de saturação faz com que a baixas temperaturas o biodiesel possa formar cristais que podem entupir os filtros do motor, assim como o biodiesel de sebo bovino. A palma tem inclusive uma alta produtividade de óleo por hectare, produzindo bem mais que a soja e por ser uma cultura perene, exigindo menos do ambiente e do solo para a sua produção, podendo ser uma cultura chave para o Programa Nacional do Biodiesel (PNPB) na diminuição de custos e na diversificação de matérias-primas.
Além desse uso, existe o uso para fins industriais, para detergentes e cosméticos que não será focado aqui.
O outro uso que tem crescido muito por aqui é na indústria de alimentos, devido as características da gordura de palma se assemelharem ao da gordura hidrogenada, com a vantagem de não haver risco a formação de gordura trans e ser uma gordura natural e mais facilmente digerível pelo corpo humano, não acarretando problemas de saúde, como o colesterol e problemas circulatórios. Há a cogitação da eliminação total da gordura hidrogenada por lei, sendo então a gordura de palma uma ótima opção é um dos caminhos que a indústria encontrou na substituição. Para a produção da gordura de palma, exige-se apenas a separação do óleo, já que basicamente é composto por 60% de oleína(insaturado) e 40% gordura (saturado), que em um processo de fracionamento essas duas fases são separadas.
O óleo de palma também pode ser usado na culinária, apresentando ótima estabilidade oxidativa (isso quer dizer um óleo adequado a frituras), e um óleo rico em carotenóides, que são antioxidantes naturais presente no óleo, que são precursores de vitaminas como a vitamina A e E.
Para fechar, andou circulando algumas campanhas contra produtos que usam a palma em sua composição. Isso se deve porque os dois países que mais a produzem, desmatam suas florestas tropicais, que são em ilhas e possuem espécies raras para plantar a palma. Isso fez esse movimento movido pelo Greenpeace, e gerou um contramovimento que tenta certificar o óleo de palma com origem de plantações que não agridam a fauna e flora local. Uma grande oportunidade do Brasil aproveitar esses investimentos e certificação e colocar mais um produto no mercado, já que por aqui a produção de palma visa ser sustentável é uma opção para recuperar locais degradados.
Frutos da palma onde é extraído o óleo de palma.
Oportunidade não falta, basta ter inteligência para vislumbrar e aproveitar.
Obs: Esse foi o último post de 2015, o blog entra em férias. Gostaria de desejar um Feliz Natal e um próspero Ano Novo a todos os leitores e seus familiares. Em Janeiro retornamos com mais força e energia, obrigado.
http://g1.globo.com/economia/agronegocios/noticia/2012/06/biopalma-da-vale-inaugura-no-para-primeira-usina-de-oleo-de-palma.html
file:///C:/Users/Samuel/Downloads/Consumer%20Fact%20Sheet-Portuguese.pdf
http://www.agricultura.gov.br/arq_editor/file/camaras_setoriais/Palma_de_oleo/1_reuniao/Programa.pdf
http://www.aboissa.com.br/produtos/view/609/oleo-de-palma.html
http://www.valor.com.br/agro/2728714/biopalma-da-vale-inaugura-usina-de-extracao-de-oleo-de-palma-no-pa
